Eleições 2014: Minhas considerações e posturas

Eu tenho uma puta dificuldade em tomar partido. Eu penso demais nas coisas, fico sempre tentando analisar todos os lados, e são sempre muitos! Eu sou dessas que fica em cima do muro, observando os dois lados, mas em cima do muro. Haverá quem critique essa posição, eu mesma em tantos momentos até, mas essa sou eu. Em algumas coisas me forço a me posicionar, principalmente quando se trata de justiça. Mas não é também a justiça uma noção permeada por subjetividade? O que eu acho justo o outro pode não achar, ainda que em algumas questões haja consenso (quase) geral. No fundo acho que não acredito em extremismos, pois me parece que eles não dão margem para observar outras possibilidades, de entender outras perspectivas. Tá, mas tudo isso começou por conta da chuva de informações das eleições. É interessante observar as diferenças entre defensores de Dilma e de Aécio. Às vezes um mesmo fato é tido de formas completamente diferentes por cada um dos lados. Há os convictos (pró-Dilma ou Pró-Aécio), há os “anti” (anti-Dilma ou Aécio Never) e há os que realmente não acreditam que qualquer uma das opções corresponda ao que se deseja para o Brasil. Acho que a princípio eu estava nessa última turma (inclusive meu voto no primeiro turno foi para Luciana Genro, caso lhes interesse saber). Mas como mestranda em Sociologia tenho passado por análises da sociedade e repensado algumas coisas. Enxergo que de fato nenhum dos candidatos seja capaz de transformar o Brasil, acabar com a corrupção ou alguma dessas coisas que permeiam o campo das nossas esperanças. Mas sabe, tenho visto um imenso egoísmo. E se tem uma coisa que eu busco não ser é egoísta. Não sei bem qual é o lance por trás disso, mas me incomoda muito. Me incomoda quando as pessoas escutam música alta porque elas gostam e não se importam com o que os demais acham da “qualidade” ou volume. Me incomoda quando as pessoas deixam passar injustiças porque “não é comigo, não vou me meter” (essa parte eu ainda tenho que trabalhar muito!). Mas em termos de eleição o que tem me incomodado é o egoísmo ao escolher o candidato: “se eu votar em tal o meu setor quebra”, “se eu votar em tal eu vou perder dinheiro”, “se eu votar em tal não vai ser do jeito que EU quero”. É nosso primeiro instinto parece, querer tirar proveito em benefício próprio em tudo. Mas como eu já disse, tenho tentando me afastar de atitudes egoístas. Tenho tentando, nessas eleições, pensar no melhor para o país e para TODOS que vivem por aqui. E minha noção de igualdade e justiça na nossa sociedade é ter menos gente na miséria, mesmo que isso signifique tirar um tanto do bolso dos milionários. Bom, é a minha noção. Você tem todo direito de achar que se o milionário conquistou toda essa grana é mérito dele e tudo mais. Beleza. Mas o que eu acho é que em termos de felicidade (isso é bem importante na minha vida, sabe) seria muito mais proveitoso viver numa sociedade mais equilibrada economicamente do que nadar em dinheiro enquanto vejo tanta gente sem as mínimas condições. E, por fim, por mais que a corrupção seja, ao meu ver, a grande desgraça do país, não acredito que nenhum dos candidatos seja capaz de combate-la devidamente para que chegue perto de se extinguir. Mas vejo ao menos em Dilma uma abertura maior para as investigações, um histórico de vida de quem viveu e lutou contra a ditadura, uma busca direta pela diminuição da pobreza. Vejo no Aécio a cara da elite, e não me parece que a justiça social irá se fazer a partir de uma pessoa tão distante da realidade da classe pobre. Não sei bem se realmente “não vou com a cara” do Aécio, por sua ironia e cinismo, ou se de fato me influenciei por certas notícias sobre ele, como violência à mulher, envolvimento com tráfico de drogas, nepotismo e censura às liberdades de expressão. (Esse parênteses se fez necessário: esse me influenciar não tem caráter positivo ou negativo, e muito menos escapatória. Somos todos influenciados por uma série de coisas o tempo todo. Certamente para ter a posição política que você tem hoje, foi influenciado por muita coisa. Somos inclusive influenciados por mentiras. E por verdades. E por coisas que são verdades para uns e mentiras para outros. Mas vamos parar por que porque se eu for entrar no papo sobre “o que é a verdade?” esse texto não vai ter fim!). O fato é que me vi obrigada a tomar o partido do Aécio Never. Mudei da turma do muro pra turma dos “anti”. Mas pensando bem, não gosto dos aspectos negativos das coisas. Não quero ser contra uma coisa, batalhar do lado do desgosto e do asco. Então, mudei mais uma vez de categoria: agora sou Dilma.

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6 comentários em “Eleições 2014: Minhas considerações e posturas

  1. Oliveeee, adorei o post. Claro que adorei a tua posição final, mas isso é pessoal. De uma maneira imparcial achei muito interessante tua análise, de que sim, é muito difícil que alguém que represente a elite, faça algo pelo social. Não acredito que ele quebraria o país, eu acredito é que ele se viraria de costas para aqueles que estão começando a ter uma vida digna a apenas 12 anos. Pois foi isso que seus aliados fizeram, quando tiveram oportunidade, fecharam os olhos. E pra aqueles que enchem a boca pra falar mal do Bolsa Família, deve ser fácil criticar quando nunca passaram FOME e que votam em candidato que alega nunca ter arrumado a cama! Na idade em que ele não arrumava nem a sua cama, a atual presidente reeleita (amém) estava lutando pra que hoje pudéssemos escolher quem nos representa. Enfim, acho que me empolguei. Mas é que tenho visto tanta ignorância, tanta falta de informação, preconceito racial, homofobia e xenofobismo escorrendo pelas redes sociais que minha revolta não consegue se manter dentro de mim. Espero que tu sempre tenhas um lado, independente dele, pois ficar em cima do muro observando, não te abstém da responsabilidade. Beijos, beijos <3

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    1. Adorei sua empolgação, fique sempre à vontade! Hehehe

      É, eu sei que preciso me forçar um pouco mais pra me posicionar, especialmente quando são coisas de extrema importância! É claro que ao nos posicionar temos que lidar com pessoas que nem sempre tem respeito pelas nossas decisões, mas faz parte. Do mesmo jeito que faz parte a alegria de ver pessoas que compartilham das nossas crenças.
      É bem fácil ter acesso à informação hoje, mas tão difícil distinguir as informações “reais” de sensacionalismos e tentativas de influência em diversos sentidos… E com isso eu sigo bem preocupada. E bem preocupada com o futuro do país também, mesmo tendo sido eleita a minha candidata, pois sabemos dos diversos problemas que qualquer candidato se depararia. Pena mesmo é ver tanta gente mostrando posicionamentos podres, como esses que vc citou, triste mesmo… Mas acho que com informação aos poucos vamos conseguindo tirar algumas vendas e conseguindo olhar um pouco mais ao redor do que apenas pro nosso mundinho.

      Me empolguei também… rs!

      Beijão querida!

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      1. OLi, com certeza! E outra coisa, tu estás no mestrado de Sociologia, eu fiz metade do curso de Ciências Sociais, temos várias figurinhas pra trocar! Hahaha. Qual é o tema do teu mestrado, ou ao menos, qual a linha? Eu adorava Ciência Política kkkkk :*

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        1. Nossa, com certeza temos! Na verdade eu ainda estou engatinhando em Ciências Sociais, porque minha graduação foi em Turismo, é tudo muito novo pra mim.
          Eu vou seguir pesquisando em assentamentos rurais, seria estigma, mas estou mudando pra uma abordagem mais voltada pra gênero, mulher rural, por aí.
          Vc largou as Ciências Sociais? É muito invasivo perguntar pq? hehehe… Se quiser me procura no Face pra gente bater papo sobre tudo isso ;*

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          1. Não achei teu face! Me manda o link :} Eu tava vendo que minha única opção seria carreira acadêmica e uma remuneração que gerasse independência viria a longo prazo… e não era o que eu queria no momento. Então, como já gostava da educação, fui pra Pedagogia :} Mas não fiquei por lá ñ, hahaha. Acho Ciências Sociais um curso incrível e acredito que o ideal seria todos terem acesso, ainda bem que de uns tempos pra cá a Sociologia tornou-se matéria obrigatória no Ensino Médio. Quem sabe um dia eu retorno e concluo :} :*

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          2. https://www.facebook.com/olivia.alvesdealmeida

            Olha, o prazo é longo mesmo… rsrs! Estou no mestrado e já vendo que as coisas são bem complicadas. Não tenho certeza se vai ser isso que vou fazer da vida (não tenho nem certeza se deveria ter escolhido café ou suco de maracujá no café da tarde, então tudo bem), mas que é interessante, isso é!
            Comecei recentemente a achar Pedagogia bem interessante. Acho que é por achar que a educação é o caminho para as mudanças que eu acredito serem importantes na sociedade/nas pessoas.
            :*

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