Nem gorda, nem magra: qual o meu lugar?

Vi esse vídeo (vejam esse vídeo) e voltei a pensar em algumas coisas.

Acho que sou um exemplo do nem gorda, nem magra. Na verdade eu tenho me entendido enquanto gorda, principalmente após episódios como:

  • Ter meu prato observado e julgado por terceiros;
  • Ser alvo de “””preocupações com a minha saúde””” (que obviamente não eram reais preocupações com a minha saúde, mas com o meu peso);
  • Não caber direito em alguns tipos de cadeiras;
  • Não passar tranquilamente por certos espaços (como corredores de ônibus, roletas);
  • Ter dificuldade pra encontrar roupa em lojas “comuns”;
  • Acharem que eu estava grávida;
  • Acharem que eu quero/devo emagrecer (afinal uma pessoa gorda não pode querer viver assim, não é mesmo?).

Enfim, passei por algumas coisas que me fizeram me entender enquanto uma pessoa gorda, mas tenho noção de que meus problemas são muuuuuito pequenos perto dos problemas que pessoas mais gordas passam. Digo isso porque acompanho um grupo sobre gordofobia e as histórias são realmente terríveis.

Bem, não sei o que vocês ou o que o mundo considera como indicadores para dizer se alguém é gordo ou não (eu tenho 1,58 m, 86 kg e visto calça 48). Mas o ponto é o seguinte: sempre tem alguém que fala “mas amiga, você nem é gorda“. E daí a gente fica com essa sensação que falam no vídeo: não nos encaixamos em lugar nenhum.

A real é que passamos a vida inteira sendo bombardeadas por padrões. Somos ensinadas a admirar e valorizar certas coisas e odiar algumas outras. Fomos ensinadas que gordura corporal é sinônimo de doença. E agora a onda fitness ensina que corpo sarado é saúde (ou seja, nem as magras se encaixam mais no padrão que agora tem gominhos musculosos na barriga como ideal).

É TUDO MENTIRA.

Generalizações são mentirosas.

Cada corpo é um corpo, cada pessoa é uma pessoa, e cada caso é um caso.

Então vamos parar de dar tanta importância para os padrões? Vamos dar importância pra nossa felicidade, pra nossa saúde (que inclui o emocional também, viu?), pro nosso bem-estar? Vamos entender que não há problema nenhum em não se encaixar, e que no fundo tem sim muita gente como a gente?

Confesso que fiquei feliz de ver esse vídeo e saber que tem gente no mesmo barco. Por outro lado, talvez eu preferisse que não tivesse tanta gente cheia de dúvidas e angústias com relação ao próprio corpo. Mas que tudo isso sirva para que a gente possa falar sobre o assunto, para entender cada vez mais, podendo transformar nossas realidades e fazer do amor-próprio um caminho belíssimo e sem volta. Estou trilhando esse caminho e amando tudo o que tenho encontrado. Me amar mais me faz amar mais os outros também, e se todo mundo se amar as coisas vão melhorar, tenho certeza disso.

E sobre a pergunta do título: meu lugar é onde EU quiser!

Beijos!

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5 comentários em “Nem gorda, nem magra: qual o meu lugar?

  1. Amo Jéssica e vou protege-la!
    Esse canal é incrível. O da Hel Mother também! O das Bee também!
    Ah que post amor!
    Que texto foda!

    Te admiro, miga!

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