Pressão estética, dietas e terrorismo alimentar

Estou num grupo sobre gordofobia e tenho aprendido bastante sobre o tema e entendido algumas coisas que antes eu não tinha ideia. A primeira que eu queria comentar é a diferença entre gordofobia e pressão estética. (Vou comentar sobre isso de acordo com o que tenho visto no grupo, ok? Não tenho conhecimento formal sobre o tema, portanto se estiver equivocada já peço desculpas e peço que contribuam nos comentários).

Pressão estética é algo que qualquer pessoa pode sofrer, seja gorda ou magra. É uma pressão que recebemos da sociedade em geral, família, amigos, para que nos encaixemos em padrões estéticos estabelecidos. Já a gordofobia, pelo que entendi, atinge as pessoas gordas de uma maneira mais objetiva no cotidiano: dificuldade de caber em cadeiras, passar em catracas, encontrar roupas que sirvam, patologização (“gordo = doente”), dificuldade de obter atendimento médico de qualidade (por exemplo: vai ao médico tratar de uma coisa e ele reduz todos os seus problemas de saúde ao fato de estar gordo, mesmo que não haja nenhum tipo de relação). Bom, citei alguns exemplos que vi no grupo mas sei que vai ainda além disso.

Há muitas outras discussões também no que se refere à gordofobia, mas o ponto em que eu quero chegar é o quanto a pressão estética é prejudicial e muitas vezes leva aos outros dois itens que estão no título desse post: dietas e terrorismo alimentar.

Observei uma cena recentemente que me deixou muito assustada: na mesa do jantar a mãe falava para a criança que depois que passassem esses dias de festa elas iriam voltar para a dieta. Uma criança. Dieta. Vamos refletir: O que essas falas ensinam às crianças? Que conceitos e ideias? Que tipo de relação com a comida se estabelece? Eu me arrisco a dizer que esse tipo de situação ensina as crianças desde muito cedo que o normal é fazer dieta. Ainda que seja só um “modo de falar” e a criança não seja submetida de fato à algum tipo de restrição alimentar, a palavra fica gravada, a ideia é de que é preciso tomar cuidado para que a dieta seja seguida e que é um problema sair dela. A impressão que tenho é de que a alimentação não é encarada como algo natural, mas como uma coisa cheia de regras e que precisa ser controlada.

Falando em controle, vou fazer um parênteses aqui no texto pra indicar um texto que li e achei muito interessante: Fugindo do controle.

Outra coisa que me fez pensar no sentido das dietas recentemente foi uma situação em que uma moça me contava sobre como a dieta low carb foi excelente para ela, tendo perdido muitos quilos. Ela comentava que, apesar de não poder comer carboidratos, comia muita coisa gostosa, por exemplo: às vezes de madrugada fritava torresmo e comia sem culpa. Acho ótimo o comer sem culpa, inclusive acredito que isso nem deveria ser uma questão, pois comida e culpa não deveria estar relacionadas, já que se alimentar é uma necessidade básica do ser humano. Mas daí fiquei pensando: Eliminar o carboidrato e basear sua alimentação em gorduras e proteínas é mesmo saudável? Qual nosso conceito de saúde? Saúde é magreza e pronto? Infelizmente parece que sim, veja por esses exemplos que já identifiquei pessoalmente: o objetivo do gordo deve ser a “saúde”, o magro é visto automaticamente como saudável e não é cobrado; a pessoa gorda automaticamente não pode comer certos tipos de alimento (açúcar, gordura, entre outros), já para o magro tudo bem, quase ninguém se incomoda; o gordo é comumente visto como a pessoa que deseja/precisa emagrecer, o magro poucas vezes é entendido como alguém que deseja/precisa engordar.

Tudo isso indica que a “preocupação” não é com a saúde da pessoa gorda, mas com o fato dela ser gorda. E essa suposta preocupação é usada de desculpa pra praticar o terrorismo alimentar. “Gordo não pode comer isso”, “gordo deve comer aquilo”, cagação de regra e blá blá blá. O magro não incomoda. O magro não é considerado doente só pela forma de seu corpo. E entendam que nada disso é apologia à obesidade, não quero dizer de forma alguma que ser gordo é saudável e pronto. A ideia é realmente entender a questão de forma equilibrada: nem todo gordo é doente, nem todo magro é saudável. É só uma questão de parar de generalizar de forma tão superficial e de usar essa generalização pra julgar e destruir a auto estima e a saúde mental das pessoas gordas.

Inclusive, falando por mim, essa “preocupação” dos outros com o que eu como mais atrapalha do que ajuda*. Me coloca num estado de tensão e ansiedade que me fazem querer comer mais do que se eu estivesse bem com relação a tudo isso. Cheguei ao ponto de ter chocolate na bolsa pra comer escondido em caso de necessidade sem correr o risco de ser julgada (e comi escondida, de fato). Já aconteceu de sair de uma situação de vigilância alimentar e ter um episódio de compulsão, na tentativa de compensar aquele período em que eu não me sentia à vontade pra comer normalmente.

A ideia desse post é que, entendendo todas essas questões, possamos evitar essas generalizações, possamos refletir sobre nossos conceitos que afetam nossas falas e ações. Que possamos observar nossa postura com relação a essas questões e evitar práticas que levem a um desequilíbrio da nossa relação com a comida. Que tomemos consciência de como podemos estar influenciando negativamente a relação dos outros com a comida quando utilizamos algumas dessas “ferramentas” citadas ao longo do texto.

Que o terrorismo alimentar se torne liberdade e equilíbrio alimentar.

Que a dieta se torne um comer intuitivo e adequado a cada pessoa.

Que a pressão estética dê lugar à valorização de todos os corpos com suas formas e características únicas.

 

*Sabe o que ajuda? Pessoas compreensivas, que respeitam nosso espaço, nosso corpo, nossos sentimentos. Que se colocam à disposição pra ajudar sem julgar, que tentam entender o que estamos vivendo mesmo que não faça sentido nenhum pra elas – a famosa EMPATIA! -, que saibam que a receita de saúde que funciona pra elas pode não funcionar pra todo mundo, que te ajudam a encontrar o seu próprio caminho sabendo que ele vai ter obstáculos, trajetos e linhas de chegada diferentes.

Quantas faces tem o seu preconceito?

Estou lendo um livro chamado “12 faces do preconceito”, que encontrei ao buscar bibliografia para indicar para os alunos da disciplina de Ciências Humanas e Sociais que ministro como base para a elaboração de seminários sobre o tema.

De cara me pareceu um livro bem interessante e a ideia era distribuir cada um dos capítulos para um grupo, sendo os temas: Mulheres, Racial, Homossexuais, Idosos, Jovens, Linguístico, Gordos, Baixinhos, Antissemitismo, Deficientes, Migrantes e Social.

Mas durante a leitura, para minha surpresa, encontrei o seguinte trecho:

“Eu, por exemplo, me oponho totalmente ao pessoal que deixa crescer a unha do mindinho para tirar cera do ouvido ou as mulheres celulitosas que desfilam em biquínis fio-dental, mas isso não dá a mim ou a qualquer outra pessoa o direito de prendê-las”.

Fiquei perplexa. O trecho está presente em um dos capítulos, escrito por um homem e intitulado “Entre a mamadeira e a camisinha” (identificado anteriormente como um capítulo sobre JOVENS).

Me pareceu absurdo alguém querer falar sobre preconceito e utilizar essas palavras que soam, no mínimo, como uma alfinetada. Podem dizer que não tem nada de preconceituoso na fala dele, mas eu como mulher celulitosa (essa palavra existe???) que desfila de biquíni (mesmo que não fio-dental) me senti ofendida. Principalmente porque antes desse trecho ele fala em algo “moralmente incorreto”, como se houvesse um grande problema “moral” em ter um corpo com celulite e desfrutar dele como qualquer outra pessoa. Mas o objetivo desse texto não é criticar o cara (que pesquisando melhor vi que tem posturas conservadoras e absurdas, ao ponto de eu achar que não vale a pena perder tempo).

O objetivo desse texto é propor uma reflexão sobre nossos próprios preconceitos. Me peguei pensando o quanto podemos ser “desconstruídos” em certos aspectos e em outros não. O quanto podemos sentir afinidade com certos assuntos e por isso ter facilidade pra deixar certos preconceitos, mas ter dificuldade pra deixar outros. Por exemplo, podemos ser nada homofóbicos, próximos da comunidade LGBT, super defensores da causa, mas racistas. Podemos ser muito respeitosos com os corpos alheios, evitando a gordofobia ou o bullying contra pessoas deficientes, mas intolerantes com pessoas de religião diferente da nossa.

 

Enfim, as combinações possíveis são infinitas, mas o que quero dizer é que podemos começar a mudança a partir de nós mesmos. E na minha opinião somente assim ela vai se tornar efetiva, pois com nosso exemplo podemos contagiar muito mais do que apenas com críticas aos demais.

Quantas faces tem o seu preconceito? Quantas delas você já conhece, ou já enfrentou?

Que possamos identificar, aceitar e transformar, pois sem consciência da realidade, nada faremos, sem aceitar que temos preconceitos, eles permanecerão intactos. E transformarTRANSFORMAÇÃO vem do Latim TRANSFORMARE, “fazer mudar de forma, de aspecto”, o fazer é ação, e só com ações as mudanças são possíveis.

Auxiliares da autoaceitação

No post que comecei a falar sobre o amor-próprio mencionei algumas coisas que me ajudaram a desenvolvê-lo, como o reiki e a terapia. No post de hoje quero compartilhar com vocês uma outra coisa que está me ajudando muito nesse processo: acompanhar vídeos de pessoas que passaram por esse processo de autoaceitação.

(Só um “ps”, autoaceitação não quer dizer acomodar-se. É permitido ter coisas que desejamos mudar, a ideia é somente que tenhamos carinho próprio, para que não sejamos dependentes dessas mudanças para estarmos felizes ou completos. Entendo agora, inclusive, que a aceitação e o amor-próprio são ótimas ferramentas para executar as mudanças que queremos, e não o contrário!)

Vocês podem encontrar diversos canais com pessoas que se sintam em sintonia, mas vou recomendar as duas maravilhosas que venho acompanhando. Elas fazem sentido pra mim principalmente por tratarem da questão de ser gorda e fatos relacionados a isso. Lembrando que podem ter pessoas lendo aqui que precisam aceitar outros pontos em seus corpos ou suas vidas, por isso recomendo que busquem canais que façam sentido para a realidade de vocês, que transmitam mensagens que se encaixem com o que estão passando. Não que estes canais estejam restritos à questão que mencionei também… Enfim, vale a pena conferir de qualquer maneira :)

Alexandrismos – da Alexandra Gurgel

Confesso que no começo não curti muito o jeito dela, mas acabei vendo parcerias e gostando tanto das ideias, que logo me vi apaixonada por essa pessoa! Sinto que ela é muito verdadeira no que diz e mostra nos vídeos, e tem um “projeto” dela que estou acompanhando, a #maratonadoamorproprio que logo deve ter um post especial aqui no blog porque inspirou muito esses posts e está contribuindo muito pro meu desenvolvimento! Assim que finalizar conto mais pra vocês!

Tá, Querida – da Luiza Junqueira

Com a Luiza a coisa já foi diferente, me identifiquei de cara com esse jeitinho fofo dela, amei o cabelo colorido e as tatuagens e simplesmente pensei: quero ser como essa moça aí! Hahaha! Também me tocou muito o documentário GORDA, que está disponível no canal dela e recomendo total. Ela me ajudou a perder o medo dessa palavra, a aceitar que tudo bem ser gorda, que isso é só uma característica física que não define todo o meu ser e que não deve ser entendida como ofensiva (exceto quando alguém usa de modo ofensivo).

Enfim, a ajuda às vezes vem de onde menos se espera. Espero ser também uma fonte assim como elas foram pra mim. Contem comigo <3

Beijos!

Introdução ao amor-próprio

Já tem algum tempo que estou numa jornada de auto conhecimento. Já falei pra vocês um pouquinho sobre o reiki, sobre a terapia, mas hoje quero falar sobre o ponto chave do processo: o amor-próprio.

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Demorou um pouquinho para que eu percebesse que o amor-próprio era a chave para todas as mudanças que eu desejo e sentia que não ia conseguir. Mas agora, com muita ajuda, leitura, vídeos e reflexões, entendi que nada do que vem de fora tem poder real sobre mim.

Na verdade até tem, mas um poder negativo que agora estou aprendendo a me livrar. Os outros tem o poder de me deixar pra baixo, mas só quando eu permito, e agora não permitirei mais. Não darei mais ouvidos aos que dizem que eu preciso emagrecer pra fazer qualquer coisa. Não darei ouvidos a quem diga o que eu preciso fazer pra ser feliz, pois isso só eu sei, e só vou descobrir quando parar de ouvir o exterior pra ouvir o interior.

Então é assim: entendi que o caminho da transformação é só a gente que constrói, ele vem de dentro, nós criamos a partir do que descobrimos sobre nós mesmos. O caminho do outro pode ter sido muito bom pra ele, mas provavelmente não será o melhor para nós.

Nessa trajetória eu precisei aprender a me impor. Não de uma maneira ruim, me colocando com ar de superioridade ou impondo minhas preferências, mas me impor como eu mesma, ser capaz de fazer minhas escolhas, ser completa, com qualidades e defeitos, com certas preferências, com certas convicções. E olha, pode parecer muito simples ser você mesmo, mas nem sempre é, pra mim não foi.

Eu sempre me preocupei muito com os outros, com o que pensariam, com o que sentiriam, sobre o que estavam esperando de mim. E muitas vezes eu agi e fiz escolhas pensando nisso. Pautei decisões importantes em “fulano recomendou, então deve ser bom”. E quando me dei conta do quanto isso foi negligente, fiquei pasma. Agora me parece óbvio que só eu posso ser responsável pelas minhas escolhas. Imagina só lidar com as consequências de uma escolha feita pra agradar outra pessoa? Tem muito potencial pra gerar raiva, desconforto, culpar o outro.

Agora me parece óbvio também que sou eu que devo tomar as decisões com base no que eu acredito e desejo, pois, afinal, serei eu que lidarei com as consequências, sejam boas ou ruins. Não me imagino mais carregando consequências de escolhas que os outros fizeram por mim, e acho que ninguém merece esse fardo. Mas, como sempre, não é fácil se desvencilhar. Porque nem sempre é fácil saber o que realmente queremos. Porque nem sempre é fácil ter coragem de assumir os riscos das nossas próprias decisões sem ter ninguém pra culpar se tudo der errado.

Mas o amor-próprio ajuda, e muito. Ele nos faz enxergar o que temos de bom. Ele nos mostra que somos capazes de tomar as melhores decisões pras nossas vidas. Ele nos deixa seguras de quem somos, mesmo que não tenhamos certeza do que isso significa. Ele nos faz confiar mais na nossa intuição, a ouvir mais o nosso coração sem medo.

O amor-próprio traz consigo o autocuidado. E quando nos cuidamos, nos amamos. E quando nos amamos, enxergamos nosso potencial. E enxergando nosso potencial, nos permitimos ir mais longe. Nos permitimos dizer não ao que nos faz mal e dizer sim para o que realmente importa em nossas vidas.

O amor-próprio nos aproxima da verdade. A verdade que está dentro de nós, geralmente escondida, esquecida, perdida debaixo de camadas e mais camadas de crenças limitantes que nos foram ensinadas desde sempre. Limpar essas camadas não é o processo mais agradável de se fazer, digo porque creio estar exatamente nesse momento. É aquela parte chata de encarar as mentiras que guardamos com tanto carinho. É a parte de desapegar de crenças confortáveis que no fundo sabemos que não dá pra manter. É a parte de entender que só nós mesmos podemos fazer essa limpeza – por mais que você tenha pessoas te auxiliando elas não podem fazer por você.

 

Gorda e saudável, é possível?

(Geralmente eu escrevo as coisas mais em “off” aqui no blog, mas dessa vez me desafiei e fui fazer textão no Facebook porque acho que lá tem uma exposição diferenciada. Aqui talvez até alcance mais pessoas, mas eu realmente precisava falar tudo isso para aqueles que convivo diariamente, sabe? Para a família, amigos, colegas, alunos, professores, enfim, pra todo mundo entender um pouco a questão e de repente parar pra pensar sobre). 

Então, deixo aqui o link pro post original do Face e também a cópia pra quem quiser ler por aqui mesmo:

Hoje assisti alguns vídeos do Canal Alexandrismos e a cabecinha começou a funcionar e mil pensamentos emergiram. A partir disso, pensei em como a minha necessidade de aprovação externa (das outras pessoas) era uma das coisas que eu sinto precisar mudar em mim para viver melhor. E daí lembrei de tantas vezes que precisei pedir um ok de alguém sobre a roupa que vesti, sobre coisas que escrevi, ou qualquer outra coisa. E lembrei também que escrevi um texto essa semana e estava super insegura sobre postar ou não, e a primeira coisa que me surgiu foi pedir pra alguém ler e me dizer se estava bom, se fazia sentido ou sei lá. POR QUE? Por que não me sinto bem em simplesmente expor o que eu penso, sinto, quero? Me dei conta de que isso demonstra uma falta de auto confiança da minha parte. E, claro, essa não é uma questão que irá se resolver de uma hora pra outra, mas resolvi fazer um teste, me desafiando a postar sim o texto que escrevi, e ainda escrever isso tudo aqui que você acabou de ler pra contextualizar. Então vamos lá descobrir o que acontece quando agimos diferente do que estamos acostumadas! Ah, também não posso deixar de mencionar a lynda Luiza Junqueira do Canal Tá, Querida que também está me ajudando muito nesse processo de auto aceitação. E tem também a Jessica Tauane do Canal Gorda de Boa que é incrível! Enfim, só pra citar algumas das mulheres gordas maravilhosas da internet que estão fazendo um trabalho incrível ajudando minas a se amarem do jeito que são

Mas vamos ao texto que mencionei acima:

Seria cômico se não fosse trágico: hoje fui até a ginecologista levar os meus resultados de exames de sangue para ela verificar. De antemão – visto que no último ano ganhei 10 quilos e que estes são apenas parte de um ganho de peso que já vem acontecendo há um bom tempo – já me preparei para alguma alteração que provavelmente me forçaria a mudar alguns hábitos. Pensei em como talvez isso seria até bom, aquele empurrãozinho de que eu necessitava pra aderir a uma vida mais saudável, me alimentando “melhor” e fazendo atividade física com mais frequência (a receita mágica para emagrecer que nos vendem em qualquer esquina ou postagem do mundo fitness). Afinal, gorda assim certamente não estou saudável – reproduzi mais uma vez aquele discurso da galera da patrulha da “saúde”. E, PASMEM, a médica olhou meus exames e falou que está TUDO ÓTIMO. Antes que eu pudesse mais uma vez questionar como isso seria possível já que sou gorda, simplesmente sorri, quase que um sorriso de vingança do mundo: POSSO SER GORDA E SAUDÁVEL SIM! Ainda me sinto na obrigação de mudar meus hábitos alimentares e voltar para práticas mais regulares de atividade física, mas agora estou mais consciente de que minha saúde não se resume só ao meu peso. Agora entendo muito mais que a patrulha do peso está sim mais preocupada com a nossa aparência do que com a nossa saúde. Agora entendo muito mais o quanto as pessoas sofrem com gordofobia diariamente sim, e o quanto é ruim esse monte de gente dizendo que é tudo mimimi enquanto pessoas reais estão sofrendo com tudo isso. Agora entendo muito mais as blogueiras/youtubers/pessoas gordas que defendem a necessidade de nos amarmos como somos acima de todas as regras impostas por anos (mas ainda não cheguei nesse nível de me amar incondicionalmente, ainda). Agora entendo que se eu achar necessário mudar meus hábitos vai ter que ser algo que parta de mim mesma e seja por mim mesma, e não pra agradar alguém ou me encaixar no padrão (até porque isso sempre esteve presente e não me fez mudar nadinha). Enfim, esse é um desabafo que eu realmente precisava fazer, por mim mesma e por todas que se identificam com essa questão. Vamos sim nos preocupar com a nossa saúde, mas não vamos esquecer que nosso peso é só um número que significa muito pouco perto de tudo o que realmente somos e podemos ser!

 

Atualização:

Fiquei um tempão na indecisão pra apertar o “Publicar” no Facebook. Fiquei pensando se no fundo não era só uma necessidade de chamar atenção, fiquei pensando em quem ia ler e o que iam pensar (pensei na família, nas amigas magras, nos alunos, nos machos desagradáveis). Apertei e saí correndo. Depois de um tempo começaram a aparecer notificações de comentários e a curiosidade de geminiana me obrigou a abrir. E olha, até agora só comentário maravilhoso 

Vamos parar de reproduzir padrões ruins?

Ontem descobri essa página no Facebook:

eu empregada doméstica
Clique para acessar a página

 

A página compartilha relatos chocantes de empregadas domésticas que passam por situações no mínimo desagradáveis em seu cotidiano de trabalho.

Achei muito interessante podermos ler esses relatos e refletir sobre tantas questões que emergem a partir desses relatos: preconceito, segregação, herança escravocrata, entre outros.

Mas como sobre essas questões tem gente com muito mais propriedade pra falar, resolvi usar esse post pra contar algo que aconteceu esses dias aqui em casa: eu estava almoçando com a mulher que chamo às vezes para fazer faxina, e acabamos entrando no assunto de como era diferente antigamente essa relação patroa-empregada.

Lembrei de como eu via, frequentemente, a exclusão da empregada: usava o banheiro externo à casa, comia na cozinha, sozinha e só depois que todos já tivessem comido, entrava pela porta dos fundos.

Agora percebo que usei o “antigamente” porque pra mim isso acabou: na minha casa já não acontece nada disso, a faxineira é como qualquer pessoa que recebo em casa.

Mas a verdade é que isso não é bem coisa de antigamente não. Pelos relatos podemos perceber que muitas dessas coisas continuam acontecendo, a exclusão permanece.

Por isso resolvi escrever esse post pra falar de reprodução. De como muitas vezes reproduzimos atitudes, mantemos padrões, seguimos regras simplesmente porque “sempre foi assim”. Pode parecer difícil romper com certos padrões negativos, mas te garanto que é possível.

O primeiro passo é perceber. E acho que aí está a parte mais complicada: perceber que fazemos algo que não é legal. Pode bater uma culpa, e até vontade de se explicar, tentando amenizar a situação. Tudo bem. Mas não desista. Em algum momento a percepção vai te levar à uma mudança de ação, e quando você conseguir mudar vai ver como é bom e querer continuar!

Na verdade nesse caso do tratamento dado às empregadas domésticas não me lembro de ter sido um processo consciente de mudança. Mas tenho claro pra mim agora que somos todos iguais e que preciso cada vez mais me livrar de pré-conceitos e tentar ter mais empatia.

Em resumo, creio que a principal lição é a de tratar com respeito qualquer pessoa que esteja na sua frente: a empregada, o advogado, o gari, a recepcionista, o pedinte, a professora. E isso também vai além da atividade exercida pela pessoa, respeite a todos independente de sua cor, seu credo, sua sexualidade, sua aparência. Somos todos seres humanos que gostariam de ser bem tratados, então por que não tratar bem também?

 

 

A homofobia nossa de cada dia

Pavilhão, Lgbt, Gay, Lgbtq, Lésbica, Bissexuais

Alguns dias após o massacre em Orlando, um dos tiroteios mais fatais da história do Estados Unidos, vi de perto a cara da homofobia, vi suas pequenas raízes, que parecem inofensivas mas fazem brotar sentimentos e ações terríveis.

Acho que o fato desse ato absurdo ter sido tão comentado nos últimos dias fez com que meu choque tenha sido ainda maior, apesar da situação ser algo tão “comum”.

Bom, foi o seguinte: estava numa sala repleta de professores universitários, que começaram inicialmente com críticas ao fato de alguns alunos de outra universidade estarem em greve. Até aí, apesar de eu discordar do posicionamento deles, tudo bem. Mas aí um dos professores saca o celular e passa a mostrar aos outros uma foto mostrando “os tipos de alunos que fazem parte da greve”. De repente começo a ouvir muitas risadas e não entendo direito, pois não consigo ver a foto. Aí uma professora comenta: “Nossa, eu não consigo dar uma cruzada de perna desse jeito (e mais risos)”, e todo mundo achando engraçado a pose do rapaz que segundo o professor que expõe “usa roupa de mulher, saia e tudo mais”. As risadas só vão aumentando junto com o meu sentimento que misturava raiva, tristeza e indignação. Logo entendi que se tratava de um rapaz gay e/ou de alguém que tinha uma expressão de gênero diferente do “tradicional”.

Já achei ridículo a pessoa estar expondo a outra dessa forma, fazendo chacota, independente de qual fosse o motivo. Mas o fato de ser homossexual ou se vestir de forma diferente ser o alvo das piadinhas me incomodou ainda mais.E o fato de serem professores universitários (dos quais se espera um mínimo de condição de pensar, já que devem contribuir na educação de outras pessoas) me deixou ainda mais chateada.

Mas o pior foi que não parou por aí. O professor que estava expondo a foto comenta que esse rapaz levou um chute durante um evento. Uma professora logo pergunta: “Mas o que ele fez pra levar esse chute?” e a resposta é: “Viadagem”.

VIADAGEM.

VI-A-DA-GEM. 

Duas coisas absurdas me saltaram: 1) A professora logo assumiu que se o moço levou um chute e é gay, deve ter feito algo que provocasse isso (parece um pouco com a história da mulher estuprada que “com certeza deu motivo, provocou”, não é mesmo?); 2) Parece que para o professor, fazer “viadagem” é motivo para violência, justifica o ato violento de alguma forma. Parece que o rapaz mereceu a agressão, afinal, foi fazer viadagem, deu nisso.

Nesse momento, quando tudo aconteceu, eu busquei palavras, busquei coragem e não encontrei. Fiquei acuada por estar num ambiente dominado por “eles” (essas pessoas que fazem esse tipo de coisa sem raciocinar o quão absurdo é) e só consegui passar a mão na minha bolsa e sair correndo. Eu sempre fico mal com essas coisas de não conseguir falar e reagir nesses situações, eu realmente odeio ser assim, queria tanto virar e falar um monte e mostrar o quanto tudo estava errado! Mas eu simplesmente não consegui ficar ali ouvindo tudo isso, foi como um veneno saindo da boca das pessoas e contaminando o ar.

Mas eu precisava desabafar de alguma forma e escolhi esse espaço aqui, no qual me sinto mais segura. E também precisava colocar as coisas no lugar pra realmente conseguir raciocinar e entender a ligação das coisas.

Entendi que a homofobia realmente está naturalizada no nosso cotidiano, quando achamos normal fazer essas piadinhas, quando achamos que gays não podem ser afeminados ou “fazer viadagem” e que isso torna a violência contra eles justificável ou compreensível.

Pra mim ainda é muito difícil entender como as pessoas pensam dessa maneira. E eu tento entender pra que um dia eu possa tentar falar e agir de forma que as faça ver que não precisa ser assim, que entendam que isso é a base pra uma cultura de ódio e violência que não faz bem pra ninguém. Pra mim é simples pensar que cada um tem sua vida e que devo respeitar as situações, escolhas, condições, enfim, respeitar o que o outro é, mesmo que eu não concorde. Mas respeitar ódio e violência não dá, e sei que preciso parar de me omitir nessas situações. Só espero que aqui, de alguma forma, eu possa estar contribuindo para a reflexão, mesmo que não atinja aquelas pessoas que mais precisam ouvir…

Espero que possamos enxergar que precisamos tomar atitudes no nosso cotidiano pra acabar com o preconceito fantasiado de piadinha, pra tirar de nós certos costumes que podem ofender os outros, pra parar de achar que é mimimi só porque eu não me incomodo. Se o outro se incomoda, isso é importante. Se o outro é violentado, isso é importante. Se o outro está sendo massacrado, isso é importante. Pode chamar de empatia, ou simplesmente de “se colocar no lugar do outro”, mas tente não pensar só no seu umbigo, tente ver o universo ao redor, a rede que somos e que podemos fortalecer para que tenhamos um mundo melhor para todos.

Às vítimas da boate em Orlando, ao moço que levou um chute, aos milhares de homossexuais violentados física e emocionalmente todos os dias no mundo todo, o meu mais sincero pedido de desculpas por não estar fazendo mais por vocês, por nós.

Que o amor prevaleça acima de tudo, sempre 

 

 

Vamos Falar Sobre Democracia

Já disse aqui antes que sou um pouco reservada quando há assuntos polêmicos. Muitas vezes não quero me expor a ataques de pessoas contrárias à minha opinião, e em alguns casos sequer tenho uma opinião formada (porque acredito que pra isso é necessário ter informação, estudo, conhecimento e não apenas sair reproduzindo coisas prontas).

O caso é que hoje fui convidada através desse vídeo a botar a cara no sol.

E pude ver o quanto é importante esse ato, pois quando nos omitimos em assuntos tão importantes, deixamos de contribuir para o diálogo, deixamos de oferecer visões diferentes àqueles que só conhecem o caminho manipulado oferecido pela grande mídia, que “fica falando uma coisa na cabeça dos outros até aquilo virar uma verdade” (Teuda Bara).

Então vou botar minha cara no sol pela DEMOCRACIA.

Como diz o Gregório no vídeo “a democracia precisa ser regada todos os dias”. E a democracia em nosso país é tão novinha… Como podemos tirar a legitimidade de uma eleição com argumentos rasos e insuficientes? Como podemos fechar os olhos para o fato de que o processo de impeachment é regido pelos mais sujos corruptos do Congresso? Como podemos entregar nosso país nas mãos de um vice que tem mostrado sem pudor a sua face golpista e seu desejo pelo poder acima das leis previstas na Constituição?

Posso me arriscar a dizer que muitos de nós estão fazendo isso por ódio. Pela cegueira que o ódio pela presidenta Dilma e pelo PT vem causando. Às pessoas chegam ao ponto de se agredirem nas ruas. Tem gente perdendo o controle.

Mas peço, esqueçam um pouco a questão partidária, esqueçam o desejo ardente de tirar o PT do poder e reflitam: É mesmo válido fazer isso a qualquer custo? É válido substituir os corruptos do PT por corruptos de outros partidos? É interessante colocar no poder pessoas que já indicam um combate aos direitos humanos?

Pense bem em tudo que está em jogo. Olhe um pouco além do seu umbigo.

Sugiro que se faça algumas perguntas e pesquise bem caso ainda não saiba a resposta: Quem está a frente do processo de impeachment? O que essas pessoas ganham com isso tudo? Quais as pautas que essas pessoas apoiam? Quem elas realmente representam? Por que elas defendem a manutenção do financiamento privado de campanha? O que acontece quando uma empresa coloca dinheiro na campanha de um político? Por que a conquista de direitos humanos é uma afronta para essas pessoas?

PENSA, GALERA! Tem muita coisa “estranha” aí no meio. E quando negligenciamos essas informações, negligenciamos o futuro do nosso país.

É sempre bom lembrar que ser contra o impeachment não é ser a favor do governo Dilma, ou do PT. Sou contra o impeachment por ser a favor da democracia. Sou contra o impeachment por não querer entregar o país para políticos que defendem pautas que não me representam (e que não representam a maioria do povo brasileiro que demonstrou, em eleições, qual era a sua vontade).

Sou contra o impeachment porque quero REFORMA POLÍTICA DE VERDADE e não tirar presidente a qualquer custo pra fingir que agora tudo vai ficar bem.

Então vamos falar sobre democracia acima de tudo. Vamos falar sobre política. Mas vamos falar de tudo isso com uma visão mais ampla que não se resume à direita e esquerda, à PT e PSDB, à vermelho e verde e amarelo. Vamos refletir sobre nossas fontes de informação. Vamos observar os interesses que podem estar por trás das ações. Vamos pensar se não somos nós mesmos egoístas em nossas posições políticas. Vamos enxergar as nossas corrupções diárias e tentar minimizá-las. VAMOS LUTAR JUNTOS PELA DEMOCRACIA!

Esse processo não vai ser fácil. Esse processo não vai ser rápido. Nossa, acabei de lembrar de uma música perfeita pra esse momentos do post:

“Rápido a tv te entope de banalidades
Lento uma leitura certeira te dá um levante” 

Continuando… O processo é lento, mas necessário. É um processo que pode nos levar muito além, e que se tentarmos pegar certos atalhos, pode dar muita merda.

Vamos juntos nesse processo pelo fim da corrupção, vamos juntos nesse processo de fortalecimento da democracia. 

Mas vamos pensando na totalidade, vamos cientes de que não é um ato somente que vai transformar toda a realidade. Vamos trabalhar nos espaços que circulamos para transformar aos poucos, melhorar as coisas no nível micro, pra que tudo vá melhorando até chegar no macro. Vamos fazer a nossa parte antes de qualquer coisa.

Por mais críticas que eu tenha sobre o governo Dilma, e por mais que eu saiba que muita gente vai torcer o nariz, selecionei uma frase dela pra fechar esse post:

“Fora do voto popular qualquer governo será sempre a tirania. A tirania dos mais fortes, dos mais espertos, dos mais ricos, dos mais corruptos.” (Dilma Roussef) 

FIQUE ATENTO!

Redução da Maioridade Penal: questão polêmica, mas vamos falar disso?

Não sei se vocês perceberam, mas não costumo tratar muito de assuntos polêmicos por aqui.

Ainda mais depois que tomei um posicionamento mais zen na vida, uma busca pela positividade e o bem.

Mas o fato é que andei pensando bastante sobre o quanto pode ser ruim a gente se omitir em certos casos. E eu sempre me omito. Eu sou aquela que prefere não falar nada só de pensar na possibilidade de entrar numa discussão. Mas aí andei pensando: se frente a algo que eu acredito ser o certo eu me omito, não estou dando espaço para o “errado” vigorar? Me pareceu que sim. Então lá vou eu experimentar uma nova possibilidade: me abrir para o debate de temas polêmicos.

Vou ser mais objetiva nessa ponto: andei passando por situações com pessoas próximas em que elas expressaram algum tipo de preconceito ou pensamento que eu considerei negativo, que representava uma certa desinformação ou algo do tipo. De forma alguma quero dizer que sou mais informada ou menos preconceituosa. Mas estou tentando, e muito, me livrar de preconceitos e me informar mais. E aí diante disso eu fico naquela dúvida: vou ficar na minha e observar gente que eu amo reproduzindo discursos que me parecem tão errados ou vou colocar a cara a tapa? E era sempre a primeira opção. E sempre deixava pra lá e passava, até a pessoa fazer de novo, com um mesmo assunto ou outro diferente.

Foi então que recentemente resolvi “intervir” quando vi essa postagem na página de uma pessoa que eu realmente amo muito:

Primeiro fiquei chocada com a imagem, porque:

1) Não se justifica matar uma pessoa porque ela matou outras. (Sim, temos pena de morte em alguns países. Não, não vou entrar nessa questão).

2) Mulher negra da favela versus policial branco armado. (É tanta coisa que se pode pensar a partir disso que nem sei por onde começar, mas acho que alguns de vocês sabem o que quero dizer, né?)

Tá, depois fiquei chocada os erros de pontuação (brinks pra descontrair! rsrs).

Voltando a falar sério: Depois fiquei pensando o que o fazer sexo tem de “criminoso”. Porque sexo é uma coisa e estupro é beeeeem outra, todo mundo sabe, certo? (pelo amor de Deus, diz que sabe!).

Depois vem o 12, 14 ou 16 e a deixa: o povo deve decidir.

Gente, peraí.

Não sei se já pensaram nisso, mas grande parte dos jovens envolvidos no crime são “usados” por maiores de idade por terem penas mais brandas. “Nossa, mas então redução é a solução porque aí eles não tem quem recrutar!”. Não. O que vai acontecer é que eles vão recrutar crianças cada vez mais jovens, e o crime vai fazer parte da vida dessas pessoas ainda mais cedo. E vai chegar uma hora que a situação vai ficar insustentável (na verdade, acho que já está!).

Sobre “responder pelos seus atos”, vamos pensar: o que entendemos por responder pelos seus atos? Ir preso? Se sim, pensemos então: cadeia resolve? Pensemos mais um pouco: o que queremos afinal? Punição a qualquer custo ou redução real da criminalidade?

Parece que é a primeira opção que os defensores da redução desejam. E parece também que estão mais preocupados com a punição do que com a tentativa de prevenir. Não importa se aquele adolescente vai para uma prisão onde apenas se insere mais ainda no contexto do crime, o importante é prender esses “vagabundo”. Sim, tem muita gente pensando assim. E não, não tem cadeia suficiente. Fico pensando se com essas medidas não seria o caso de transformar algumas escolas em presídios. Já que jovens em idade escolar vão ser presos, não vamos precisar de tanta escola assim. É uma imaginação de futuro chocante, não?

Não estou defendendo a  impunidade de forma alguma. Só questiono os modos de punir (e a falta de formas de prevenir) e as formas como estamos querendo reduzir a violência. Reduzir a violência reproduzindo violência (você pode conferir expressões desta gratuitamente em diversas postagens de pessoas que são à favor da redução). Reduzir a violência colocando nossos jovens em um sistema carcerário totalmente ineficiente. Reduzir a violência com egoísmo e visão do próprio umbigo, nítidos nos discursos de “quero ver quando você for assaltado por um moleque desses” ou “tá com pena, leva pra casa” e até mesmo “torço muito pra que sua casa ou você que escreveu esse texto sofra na mão de um coitadinho como eu já sofri”(em um comentário do blog 18 Razões) –> Desejar o bem ao próximo mandou um abraço!!!

Enfim, não tenho me dedicado ao estudo aprofundado dessa questão, mas gostaria de recomendar algumas leituras pra quem tenha interesse em ampliar as perspectivas.

  • Blog 18 Razões: 18 razões e suas devidas justificativas para a não redução da maioridade penal.
  • Porque dizer não à redução da idade penal: Documento da UNICEF sobre o tema, com contextualização do debate (que não é recente) e considerações das razões para a não redução.

E pra quem tá com aquela preguicinha ou não tem tempo de abrir os links agora, deixo esses dois quadros que tem motivos interessantes para a não redução da maioridade penal:

Gostaria muito que a pessoa que amo e reproduziu isso realmente dedicasse um tempinho para ler e ao menos pensar na questão sob outro ponto de vista, ainda que se posicione à favor no fim das contas. É bem fácil “apoiar a causa” com argumentos como “adolescente marginal tem que pagar pelos seus atos” e “o que está em jogo é a segurança da nossa família”. É bem fácil se preocupar só com a nossa família enquanto milhares de outras estão numa situação de miséria tão grande que tem que apelar para o crime para sobreviver (dentre muuuuitas outras questões que permeiam a classe pobre e a desigualdade no Brasil).

O buraco é mais embaixo sim!!! Eu quero ajudar de alguma forma fornecendo informações e tentando colocar alguns posicionamentos, mas não posso obrigar ninguém a dar um tempo no programa sensacionalista da TV pra fazer uma leitura. Em alguns casos a desinformação é uma escolha, e quanto a esses, eu não posso fazer nada, infelizmente.

Maaaas, para o caso de quem já se informou e formou alguma opinião sobre o tema, aguardo nos comentários, independente se for contra ou à favor da redução, no fundo creio que seja importante ao menos começar a falar das questões, para que, quem sabe um dia, possamos pensar em soluções eficazes para os problemas, que possamos realizar ações efetivas para mudar as realidades que incomodam. Enfim, sem o caminho fácil do pessimismo e da derrota, e com perspectiva de fazer alguma mudança pra melhor!

Doação de Cabelo (+ Entrevistas!)

doação de cabelo

Hoje resolvi falar sobre doação de cabelo, um assunto que podemos dizer que está na “moda” e que acredito que seja uma ótima moda para durar pra sempre!

Confesso que fiz minha transição de cabelo longo pra curto aos poucos e na época não tinha conhecimento sobre a doação e não a fiz. Recentemente queria cortar mais curto de novo, e iria doar, mas meu cabelo não tinha o comprimento necessário. Fiquei um pouco chateada por não poder doar, mas resolvi que ao invés de lamentar ou me sentir mal por não ter esperado crescer mais, iria fazer um post aqui para compartilhar mais informações, histórias e possibilidades sobre este assunto! Quem sabe assim posso incentivar outras doações, seja de cabelo ou de outros tipos!

Vamos lá: a primeira coisa importante quando você decidir doar cabelo é procurar as instituições que recebem, bem como atentar para as exigências/especificações de cada uma delas, já que podem variar. Indicarei algumas e espero, é claro, que vocês me digam nos comentários as instituições que vocês conhecem caso não estejam listadas aqui. No nome de cada instituição tem o link para a página do Facebook ou site, onde creio que seja possível obter as informações necessárias para a doação.

SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO

MINAS GERAIS

ESPÍRITO SANTO

RIO GRANDE DO SUL

PARANÁ

MATO GROSSO

PARÁ

BAHIA

De modo geral, as orientações para a doação de cabelo são as seguintes:

1. O cabelo deve estar limpo e seco.

2. É necessário cortar o cabelo já com um elástico, ou seja, amarre o elástico e corte acima dele para que o cabelo fique preso.

3. Coloque em uma embalagem plástica para evitar que fios caiam durante o envio.

Dúvidas frequentes:

  • Comprimento: verifique diretamente com a instituição, geralmente a partir de 15 centímetros.
  • Química: o cabelo pode ter química ou ser tingido.

Para inspirar ainda mais, resolvi fazer uma breve entrevista com duas amigas que fizeram a doação de cabelo!

Roberta (a Gringa, que vocês já viram por aqui antes!)

Blog Eis a Questão: Como foi a decisão de doar cabelo?

Roberta: Conheci a iniciativa pela internet, pessoas que faziam isso ganharam meu respeito desde então, uma pessoa mais próxima fez a doação e depois o meu irmão que sempre foi um exemplo pra mim, mas eu tinha um apego com o cabelão e um dia quando realizei um sonho da minha vida achei que podia ajudar uma pequena a se realizar também, o corte de cabelo não só melhorou minha vida, meu visual e ainda me deixou com aquela sensação melhor do mundo de poder fazer bem pra alguém…

 

BEA: Para qual instituição você doou?

R: Cabelegria.

 

BEA: Conte um pouco mais sobre a sua experiência!

R: Penso e agradeço todo dia pelo fato de ser uma pessoa privilegiada, muitas coisas e pessoas boas ao meu redor, penso também nas vidas que passam pela luta contra doenças que afetam a saúde e autoestima de tanta gente, poder ajudar alguém a se sentir melhor, é o mínimo que pude fazer!

 

BEA: Deixe um recado para aqueles que estão pensando em doar!

R: Pra mim foi libertador, adorei o resultado do corte e tenho certeza que alguém gostou muuuuiito mais corrente do bem, faz bem pra alguém e fará pra si mesmo!

Nathielli – antes e depois!

BEA: Como foi a decisão de doar cabelo?

Nathi: Eu sempre quis ter um cabelão e quando consegui não deixava cortar de jeito nenhum, mesmo que precisasse eu sempre pedia pra cabeleireira tirar só as pontas. Adorava os cortes curtos, mas era muito apegada ao cabelo longo, quando vi o projeto pelas redes sociais, resolvi me informar, lendo depoimentos e vendo vídeos, foi aí que tomei coragem.

 

BEA: Para qual instituição você doou?

N: Eu doei para a Cabelegria, pois o salão que cortei o cabelo tinha parceria, eles mesmos doaram pra mim.

 

BEA: Conte um pouco mais sobre a sua experiência!

N: Eu pesquisei muito sobre a Cabelegria e queria doar 10 cm, quando eu resolvi cortar eles não aceitavam mais esse tamanho, fiquei meio perdida porque não sabia de outra instituição na minha cidade. Então resolvi cortar mais, alguns centímetros não me fariam diferença, mas faria para uma criança, no fim eu doei 28 cm e estou muito mais leve e feliz.

 

BEA: Deixe um recado para aqueles que estão pensando em doar!

N: DESAPEGUE. Somos muito apegados a bens materiais e supérfluos. Imagina para uma criança perder o cabelo de uma hora para outra, vamos doar, afinal cabelo cresce e ajudar o próximo vai te fazer muito bem.

Meninas, agradeço de coração por terem topado participar contando suas experiências e ajudando a incentivar essa iniciativa maravilhosa que é a doação de cabelo. Obrigada ♡

Além de doar cabelos, é possível fazer outros tipos de doação para ajudar estas instituições!

Resolvi falar de uma da qual participei e achei bem interessante. Funciona como estes projetos de financiamento coletivo, onde você faz uma doação e recebe kits-presente de acordo com o valor doado! Acho que em muitos casos isso pode servir como um estímulo a mais, então vou divulgar aqui essa possibilidade também! A campanha chama Adote uma Peruca e é realizada pela Cabelegria.

Para colaborar ou obter informações acesse: http://www.kickante.com.br/cabelegria

Bom, espero que tenham gostado do post e que isso possa inspirar diversas formas de colaboração, seja doando cabelo, fazendo outros tipos de doações ou ajudando a divulgar a causa. Seja qual for o motivo da perda de cabelo, é possível imaginar o quão difícil é lidar com isso, mesmo porque costuma vir acompanhado de um trauma – como nos acidentes de motor – ou de um processo muito difícil, como a luta contra o câncer. Que possamos manter em nós a compaixão e o amor ao próximo e ajudar sempre mais!

Beijos!