Daily vlogs, Bauman e memória

Esse post provavelmente vai ficar meio sem pé nem cabeça, porque tô começando sem saber realmente o que vai acontecer, mas esperando de coração que no final faça sentido.

A verdade é que eu já tinha começado um post sobre Bauman quando estava trabalhando esse tema em sala de aula, mas ele ficou abandonado. Daí hoje assisti esse vídeo do Fotografando à mesa (se ainda não conhece, recomendo!) e algumas coisas me fizeram lembrar da tal modernidade líquida tão bem abordada pelo autor:

Fiquei pensando aqui se a coisa do daily vlog (pra quem não está habituado ao internetês: quer dizer vlog diário, ou seja, gravar diariamente suas atividades, ou pelo menos parte delas)  vai virar uma tendência geral de registro de momentos. Acho que é bem possível no momento atual, considerando o avanço das tecnologias e a nossa relação tão próxima (pra não dizer relação de dependência) com essas ferramentas.

Pensei em como as minhas fotos antigas – reveladas e coladas nos álbuns – me fazem “lembrar” de momentos que certamente eu não lembraria sem registros. Depois pensei em como aquelas pastinhas do HD externo cheias de fotos da adolescência também são uma fonte importante de memórias. E agora temos essa oportunidade de registrar algo exatamente como aconteceu (acho que vídeo é um registro bem fiel, apesar da possibilidade de edição).

Pra mim parece algo sensacional, porque eu sou a pessoa que nunca lembra das coisas, daquelas que pergunta pros outros: como foi aquele dia mesmo? E aí com todos esses pensamentos, logo lembrei da pós-modernidade, ou modernidade líquida, conceito do sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

Na verdade não pensei tanto nessa coisa do público e privado que é mais abordada no vídeo, mas na mutabilidade das coisas. Será que muito em breve não precisaremos exercitar a nossa memória, pois tudo estará registrado virtualmente? A rapidez com que as mudanças acontecem também são características marcantes dessa modernidade líquida (gente, vou precisar de um outro post num outro momento só pra falar de conceitos… mas espero que todos consigam entender mesmo que não conheçam o autor/teoria).

Enfim, o que daily vlogs, Bauman e memória têm em comum, além de fazerem uma baguncinha nos pensamentos dessa que vos escreve, é que mostram as transformações que estamos vivendo, seja enquanto sociedade ou indivíduos, em maiores ou menores proporções.

Estamos preparados para todas essas mudanças? Se ainda não, acho que é hora de começar.

 

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Missão de vida (ou Será que precisamos ter sempre certeza?)

Eu sempre me preocupei em encontrar a minha missão de vida. Me sentia mal de não saber exatamente o que eu queria fazer, de não ter uma grande paixão por uma profissão ou atividade, como via que algumas pessoas tinham. Eu não sabia qual faculdade fazer, eu não me via atuando numa área específica. Mas eu sempre ouvi, lá no fundo, uma voz me dizendo que eu deveria fazer algo pra ajudar as pessoas. E pra mim isso era muito subjetivo: “ajudar as pessoas”. Como? Quando? O que eu preciso fazer pra realizar isso?

Até que um dia me foi falado que eu poderia escolher qualquer forma de fazer isso. Livre arbítrio. E nesse momento, minha preocupação que era de conseguir fazer algo grandioso e que fizesse diferença pra muitas pessoas foi por água abaixo, pois compreendi que eu poderia ajudar as pessoas que estão ao meu redor, as pessoas realmente próximas. Entendi que eu não preciso mudar o mundo, fazer uma grande descoberta, ou ser uma pessoa conhecida internacionalmente. Mas eu ainda não tinha encontrado exatamente como ajudar as pessoas, e isso ainda me incomodava. Eu tinha essa liberdade de escolha, mas mal conhecia as possibilidades pra poder escolher. Não me sentia preparada para a responsabilidade que uma “missão” de vida representava pra mim.

Até que, recentemente, como professora, vi que através dessa profissão eu posso ajudar as pessoas. Parece pouco, mas pensei bem e fiz as contas: tenho falado quase semanalmente para cerca de 120 jovens e adultos. Me pareceu um número bem grande até. Pensei no conteúdo das minhas aulas – Sociologia/Antropologia – e em como ter aprendido algumas coisas na faculdade foi tão importante pra minha evolução pessoal. E fiquei feliz por poder ser agora porta-voz, poder passar adiante o estímulo para a reflexão, as ideias como o combate aos preconceitos, o entendimento sobre o que é cultura, enfim, teorias, autores e estudos que no fundo sempre me permitem chegar ao ponto de abordar sobre RESPEITO. Respeito à diversidade cultual, respeito às ideologias diferentes, respeito aos direitos humanos.

Essa minha profissão me permitiu compreender que essa missão de ajudar as pessoas é uma missão de todos que estamos vivendo aqui na Terra. E eu acredito que ela nos foi dada, ou escolhida por nós, porque somos capazes de cumpri-la. Também ficou mais claro pra mim que o ajudar o próximo não é só trabalhar em algo que você acredite ser positivo pra alguém, mas é viver constantemente buscando fazer o bem. É estar ao lado da família nos momentos bons e ruins, é fazer um esforcinho naquela semana corrida pra ver um amigo, é oferecer ajuda a alguém na rua, e, talvez o mais importante, se ajudar, se cuidar, se enxergar. Ouvi recentemente essa teoria de que se estamos bem, se trabalhamos para nosso próprio fortalecimento e evolução, ninguém precisará se desgastar tentando “consertar” os outros. E pra mim faz todo o sentido. Preciso estar bem comigo para que isso transborde e atinja o outro. Preciso equilibrar esse “se doar” com o “me cuidar”. Não vale se acabar pra ser o bonzinho que ajuda todo mundo. Da mesma forma que não é legal pensar só em si mesmo e ignorar todos ao redor. EQUILÍBRIO, outra palavrinha que está sempre nos meus pensamentos.

Todos esses pensamentos que compõem esse texto me surgiram ao ler o seguinte: “Se propor a ajudar o próximo em terreno hostil como a Terra é um ser digno de honra, pois é das tarefas mais fortes e transformadoras para o Espírito que a quer experimentar”. E esse ajudar pode ser algo simples, pode não vir com todo o peso de uma árdua tarefa, mas certamente será transformador.

Eu sempre sofri com as dúvidas, as incertezas. Meu blog chama “Eis a questão…” exatamente por isso: sempre tive muitas perguntas e poucas respostas. E sempre houve angústia de que as respostas não chegassem. Agora entendo que as respostas chegam, mas com elas chegam também novas perguntas, e é isso que confere movimento à vida. Aprendi com Criolo que “não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”. E sabe o que precisa? Ouvir seu coração, ouvir com atenção aquela voz interior que te diz o que é melhor, e ter fé de que cada momento te trará aprendizados, nem sempre aqueles gostosos e agradáveis, mas sempre aqueles de que você mais precisa.

Então esse texto é sobre como encontrei algumas respostas e ainda continuo com muitas dúvidas. É pra me lembrar, daqui algum tempo, que estive em transformação, e que sempre estarei. Pode ser que o que me fez entender coisas agora, não seja aquilo que vou fazer pra sempre. Mas vou me lembrar que cada momento foi de aprendizado e foi válido para que eu pudesse dar o próximo passo, espero que vocês se lembrem também.

Introdução ao amor-próprio

Já tem algum tempo que estou numa jornada de auto conhecimento. Já falei pra vocês um pouquinho sobre o reiki, sobre a terapia, mas hoje quero falar sobre o ponto chave do processo: o amor-próprio.

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Demorou um pouquinho para que eu percebesse que o amor-próprio era a chave para todas as mudanças que eu desejo e sentia que não ia conseguir. Mas agora, com muita ajuda, leitura, vídeos e reflexões, entendi que nada do que vem de fora tem poder real sobre mim.

Na verdade até tem, mas um poder negativo que agora estou aprendendo a me livrar. Os outros tem o poder de me deixar pra baixo, mas só quando eu permito, e agora não permitirei mais. Não darei mais ouvidos aos que dizem que eu preciso emagrecer pra fazer qualquer coisa. Não darei ouvidos a quem diga o que eu preciso fazer pra ser feliz, pois isso só eu sei, e só vou descobrir quando parar de ouvir o exterior pra ouvir o interior.

Então é assim: entendi que o caminho da transformação é só a gente que constrói, ele vem de dentro, nós criamos a partir do que descobrimos sobre nós mesmos. O caminho do outro pode ter sido muito bom pra ele, mas provavelmente não será o melhor para nós.

Nessa trajetória eu precisei aprender a me impor. Não de uma maneira ruim, me colocando com ar de superioridade ou impondo minhas preferências, mas me impor como eu mesma, ser capaz de fazer minhas escolhas, ser completa, com qualidades e defeitos, com certas preferências, com certas convicções. E olha, pode parecer muito simples ser você mesmo, mas nem sempre é, pra mim não foi.

Eu sempre me preocupei muito com os outros, com o que pensariam, com o que sentiriam, sobre o que estavam esperando de mim. E muitas vezes eu agi e fiz escolhas pensando nisso. Pautei decisões importantes em “fulano recomendou, então deve ser bom”. E quando me dei conta do quanto isso foi negligente, fiquei pasma. Agora me parece óbvio que só eu posso ser responsável pelas minhas escolhas. Imagina só lidar com as consequências de uma escolha feita pra agradar outra pessoa? Tem muito potencial pra gerar raiva, desconforto, culpar o outro.

Agora me parece óbvio também que sou eu que devo tomar as decisões com base no que eu acredito e desejo, pois, afinal, serei eu que lidarei com as consequências, sejam boas ou ruins. Não me imagino mais carregando consequências de escolhas que os outros fizeram por mim, e acho que ninguém merece esse fardo. Mas, como sempre, não é fácil se desvencilhar. Porque nem sempre é fácil saber o que realmente queremos. Porque nem sempre é fácil ter coragem de assumir os riscos das nossas próprias decisões sem ter ninguém pra culpar se tudo der errado.

Mas o amor-próprio ajuda, e muito. Ele nos faz enxergar o que temos de bom. Ele nos mostra que somos capazes de tomar as melhores decisões pras nossas vidas. Ele nos deixa seguras de quem somos, mesmo que não tenhamos certeza do que isso significa. Ele nos faz confiar mais na nossa intuição, a ouvir mais o nosso coração sem medo.

O amor-próprio traz consigo o autocuidado. E quando nos cuidamos, nos amamos. E quando nos amamos, enxergamos nosso potencial. E enxergando nosso potencial, nos permitimos ir mais longe. Nos permitimos dizer não ao que nos faz mal e dizer sim para o que realmente importa em nossas vidas.

O amor-próprio nos aproxima da verdade. A verdade que está dentro de nós, geralmente escondida, esquecida, perdida debaixo de camadas e mais camadas de crenças limitantes que nos foram ensinadas desde sempre. Limpar essas camadas não é o processo mais agradável de se fazer, digo porque creio estar exatamente nesse momento. É aquela parte chata de encarar as mentiras que guardamos com tanto carinho. É a parte de desapegar de crenças confortáveis que no fundo sabemos que não dá pra manter. É a parte de entender que só nós mesmos podemos fazer essa limpeza – por mais que você tenha pessoas te auxiliando elas não podem fazer por você.

 

Dilemas da vida adulta

Esses dias vi essa frase e fiquei um pouco triste.

Quando foi que começamos a ser tão pessimistas, a achar que a vida é só dureza?

Pensei aqui: tenho 26 e já usei sim meus adesivos de caderno guardados desde a infância/adolescência. E se bobear ainda uso, pois ainda guardo, junto com algumas cartinhas, cartões postais e outras bobagens importantes. Uso quando tenho uma lembrancinha pra dar pra alguém e coloco num saquinho de presente meio sem graça – “Uma carinha de urso roxo com certeza vai alegrar essa embalagem!”, penso.

Penso também em como pode parecer infantil, mas lembro do quanto temos precisado entrar em contato com nossa criança interior para desviar dos males da vida adulta que chegam metendo o pé na porta (um deles é esse “descolado” ar de negatividade e supervalorização do sofrimento).

Sim, os males estão aí e temos o direito de reclamar. Mas a vida adulta também tem seu lado bom, assim como a infância e adolescência também tiveram seus prós e contras.

Enfim, isso tudo é só pra recomendar que guardem sim os adesivos (e se quiser gastar tudo também não tem problema) porque tem depois pra quem faz o depois, pra quem se permite acreditar e criar possibilidades.

Uma tentativa de abordagem menos clichê do clássico “faça sua parte”

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Estou cada vez mais aprendendo a importância do “faça sua parte”. Para além da frase clichê, é claro. Essa semana, na disciplina de Sociologia que ministro no curso de Administração, tivemos seminários com temas ligados ao preconceito (homofobia, intolerância religiosa, racismo, preconceitos contra a mulher, idosos e deficientes) e falamos muito sobre o que o governo ou a mídia poderiam fazer para minimizar os problemas provenientes da “simples” falta de respeito ao próximo. Por fim, concluímos também que é importante que cada um de nós faça a sua parte. Muitos se mostraram pessimistas dizendo que tem coisas que não vão mudar, mas lembramos que a educação tem um grande poder transformador, e que podemos ser protagonistas dessas transformações ao nos colocarmos como agentes dela, e não apenas esperarmos que alguém o faça (escola, governo, etc.).

Creio que isso começa pelas mudanças pessoais que desenvolvemos ao notar a maneira como reproduzimos preconceitos e crenças limitantes que nos foram ensinadas. E depois, acredito, podemos passar a exteriorizar isso de forma a mostrar aos demais essas amarras das quais podemos sim nos desprender. E daí vem a nossa responsabilidade com as gerações futuras. Conversando com as amigas esses dias também falamos disso: nós podemos oferecer aos nossos filhos uma educação diferente, nós podemos disseminar novos valores, ligados ao respeito e ao amor acima da competitividade e egoísmo que muitas vezes nos foi ensinado. Sim, é difícil fazer isso sozinho. Sim, é difícil fazer isso num mundo como esse que estamos. Então parece que a solução é mesmo nos unirmos para mudar o mundo. E isso não vai se realizar se continuarmos achando que não somos capazes, se continuarmos acreditando nas mentiras que nos contam, e se continuarmos tão distantes uns dos outros. Só o amor une, só o amor salva. Eu acredito e confio.

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Quintal

Jardim, Retiro, Relaxamento, Verde, Quintal, Estaleiro

O quintal é meu refúgio.

Nada como estar em casa: o lar é segurança, proteção, aconchego.

Mas estar entre quatro paredes limita, bom mesmo é ter somente o céu acima de você.

Liberdade.

No quintal está o melhor dos dois mundos: a segurança do lar e a liberdade de estar ao ar livre.

Num dia frio com sol vou ao quintal me aquecer.

Num domingo preguiçoso sento à mesa pra colorir.

No verão sento à sombra no entardecer.

O quintal é muito flexível.

É a primeira e última impressão.

O quintal é meu refúgio.

Reflexão de Páscoa

Que a Páscoa não se resume a coelhos e chocolate acho que todo mundo já sabe. Para os cristãos, representa a ressurreição de Jesus Cristo, após a morte na cruz.

Do hebreu Peseach, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade.  Nela se comemora a Passagem de Cristo – “deste mundo para o Pai”, da “morte para a vida”, das “trevas para a luz”. (Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diapascoa1.html)

Como cristã sem muito “apego” a religiões específicas, vejo a simbologia da Páscoa como uma ótima oportunidade de reflexão, como um momento em que podemos pensar em como renascer em nossas próprias vidas, observando e transformando nossos corações e ações em busca de nos tornarmos melhores.

“Das trevas para a luz” pode ser entendido como essa busca pela nossa evolução, que, diga-se de passagem, não é nada fácil. Muitas vezes sequer conseguimos enxergar as trevas, não nos damos conta do quanto estamos imersos em sentimentos negativos, relacionamentos destrutivos, reações desmedidas, entre outros.

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Mas quando uma pequena fresta de luz ilumina algo em nossas vidas, a mudança começa a acontecer. E parece que tudo vai desabar. É tão, tão difícil ficar cara a cara com nossos defeitos, problemas e erros que muitas vezes queremos desistir, voltar atrás, retornar para aquele lugar de “abençoada ignorância”. Mas descobrimos que não tem mais volta. Daqui pra frente só temos a opção de ver mais e mais a luz. Através da dor, vamos percebendo a nossa humanidade, percebendo que aquelas características ruins nos trarão algo de bom, algum aprendizado. E entendemos que é aprendendo que vamos evoluir.

Que possamos então, nessa Páscoa, renascer em nossas próprias vidas. Rever nossos valores, renovar nosso amor, reaprender a trilhar nossos caminhos de um jeito bem melhor. Que deixemos a luz entrar e que tenhamos força pra lutar contra toda a escuridão.

FELIZ PÁSCOA!

 

Recuperando escritos pra ter o que postar

As coisas estão uma loucura nesses últimos dias. Não estou conseguindo parar pra postar, pra ler os blogs que eu curto e até tenho demorado pra responder os comentários por aqui. Então, pra não deixar o blog abandonado, resolvi recuperar alguns rascunhos que estavam por aqui e reunir umas coisinhas que estavam escritas. Tem coisas beeem antigas e outras mais recentes. Não sei se vai fazer muito sentido em conjunto, mas vou colocar separadinho de toda forma.

Espero voltar logo! Saudades de vocês ♥

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Às vezes eu sinto essa coisa que não bem como chamar. Parece um pouco com preguiça, desânimo, desligamento de tudo. Parece que simplesmente nada mais importa. Nem o tempo, que parece algo tão distante, que se vai mas ainda está aqui. Preguiça da política, das pessoas, das discussões. Desânimo ao pensar nas atividades do dia e em como tudo ficou tão automático e sem graça. Desligamento das coisas concretas, parece que tudo é apenas ar, flutuando por aí.

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É incrível como temos nos rendido a essa necessidade de mostrar aos outros o que somos, fazemos ou alcançamos.

Percebam que faço a crítica também a mim mesma, e não como mais uma reclamação, mas na tentativa de, aqui e agora, enquanto escrevo, conseguir compreender melhor o porquê disso, e se é bom ou ruim (ainda que, me conhecendo um pouco, eu acredite que não chegarei a alguma conclusão concreta).

Enfim, isso mesmo que fiz no parágrafo acima foi uma tentativa de me explicar. E por que nos preocupamos tanto com o que os outros vão pensar?

A gente sempre quer parecer bacana. Queremos ser reconhecidos por alguma coisa. E por que não querer, se isso nos traz alguma felicidade?

Não é bom receber um elogio? E não é melhor saber, dentro de nós, que estamos fazendo algo de bom? Então porque esperamos tanto por aprovação? Por que julgamos tanto nossas atitudes e as dos outros?

Eu sempre acabo caindo numa série de perguntas, geralmente difíceis de responder…

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E tudo acaba ficando pesado demais.

As horas contadas, o concreto, a pretensão alheia.

Você precisa ser, fazer, acontecer, porque alguém um dia disse.

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Um dia cinza,

desses que você tem certeza de que o melhor é ficar em casa.

Nem que seja pra curtir a dor,

pra não fazer absolutamente nada.

Porque pelo menos aqui você se sente protegido,

protegido desse mundo do qual não se tem o que esperar.

Ambulâncias, ônibus, freadas bruscas.

Daqui é só ouvir a loucura que está lá fora,

e se conformar de que podia ser pior.

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A gente sempre acaba esperando que alguém se importe

e quando parece que não há ninguém, é desesperador.

Você pensa nas possibilidades, em quem está por perto,

mas parece que não se lembram de você.

É como se tudo fosse reduzido a pó

as coisas boas se apagam, a dor prevalece.

Só te resta mergulhar em si mesmo,

buscar explicações que já sabe que não vai encontrar…

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Seja você mesmo – É libertador!

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Essa frase é um imenso clichê: “Seja você mesmo”. Já foi vista milhões de vezes por aí, nos mais diversos contextos.

Mas hoje eu quero dar a minha cara pra essa ideia. Quem sabe podemos sair do clichê e adentrar a uma reflexão que julgo ser das mais importantes.

Pra começar vou ter que falar um pouco de mim e de como as coisas estão nesse momento. Sinto que agora realmente a vida adulta chegou. Chegaram as responsabilidades, os momentos de decisão, e junto com isso um desejo de me libertar de algumas amarras sociais.

Ando refletindo mais sobre várias questões, e uma das coisas que surgiu recentemente está relacionada à cobrança por atender às expectativas alheias. Vocês já devem ter reparado que a sociedade (falo sociedade para me referir a um pensamento mais geral, que pode ser encontrado em pessoas próximas – família, amigos – e provavelmente você conhece alguém que pensa assim) coloca uma série de regrinhas sobre as nossas vidas. E tem regrinhas sobre os caminhos que levam ao “sucesso”. E as pessoas assimilam essas regrinhas. E as pessoas acham que só certos caminhos garantem sucesso.

Bem, começo a discordar quando as pessoas tem “sucesso” como objetivo de vida. Prefiro pensar em algo como prosperidade como uma definição melhor do que eu quero pra mim. Sucesso me parece muitas vezes relacionado à posições de status e dinheiro. Prosperidade me parece mais próximo de felicidade. E essa sim representa o meu ideal de vida.

Mas a questão dos termos é a menos importante. Vamos voltar pra parte das expectativas: há uma mentalidade geral de que existem os caminhos de sucesso e existem outros que são “inferiores”. Isso contamina as pessoas. Isso recai sobre a gente quando estamos pensando que rumo iremos tomar em nossas vidas. É quase inevitável, por mais que sejamos capazes de enxergar de outra forma, provavelmente haverá um momento em que vamos esbarrar nessas regrinhas chatas que sei lá quem inventou.

– Tem que fazer faculdade pra ganhar dinheiro

– Tem que chegar à cargos de chefia pra ser bem-sucedido

– Trabalhar com tal coisa é humilhante

(liste aqui outros blablablás que você já ouviu por aí)

Fonte: Página “Anna Bolenna – A perturbada da corte

 

Então chegou uma situação que me fez pensar em duas possibilidades: posso ser eu mesma, ou posso me adequar ao que é tido como certo/melhor (percebam que não há possibilidade de atender às duas coisas).

E aí veio a reflexão: independentemente do que eu decida fazer da minha vida, sou eu mesma que irei lidar com as consequências, boas e ruins. Sendo assim, não é melhor lidar com consequências de decisões que tomei por mim mesma, “seguindo meu coração”, do que com consequências de algo que fiz para me adequar, para agradar, para seguir os padrões?

E minha resposta foi: É MELHOR SIM!!!

Percebi que se eu fizer aquilo que eu realmente creio ser melhor, somente caberá a mim qualquer coisa que vier daquilo e só eu serei “culpada” por isso. Já se eu fizer por pressão dos outros, ou fingir ser algo que não sou, sempre vai haver uma raiva, uma tensão, algo me fazendo culpar tudo e todos.

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Fonte: Página “Caminho do Meio

Que sejamos capazes de seguir o nosso coração, a nossa voz interior, intuição ou seja lá qual o nome que se usa para designar os nossos próprios desejos. Que possamos tentar algo novo, mesmo que isso signifique chocar algumas pessoas pelo caminho. Que possamos saber que só através da experiência, do viver, é que iremos aprender, nos transformar, e poder evoluir cada vez mais!

Ano novo, metas novas {último post de 2015}

metas não prisão

2016 chegando aí. Ano novo sempre proporciona momentos de reflexão, e muitas vezes aproveitamos a oportunidade para definir metas pro ano seguinte. Metas relacionadas ao relacionamento, à vida financeira, à saúde, entre tantas outras.

Eu quis ir um pouco no sentido contrário do momento. Muito se vê por aí sobre foco, força e fé, manter o foco, atingir a meta. Mas pouco se fala de como as coisas não são estáticas e podem mudar a qualquer momento. Se sua vida muda, porque suas metas deveriam continuar as mesmas?

O que quero dizer não é que não devemos criar metas, pelo contrário, acho elas realmente importantes para que possamos visualizar nossos objetivos e buscá-los com mais afinco. Mas é importante não fazer das metas uma prisão, não transformá-las em correntes que nos amarram e nos impedem de voar.

Além do meu momento de vida, eu recebi um e-mail que me inspirou a escrever esse post (porque nada é por acaso e as coisas acontecem com total sincronicidade). Um e-mail do projeto Moporã, do qual selecionei a seguinte frase:

Precisamos estar prontos para desistir dos nossos planejamentos quando uma boa oportunidade surge à nossa frente. A meta deve servir ao seu propósito. A meta deve te servir e não o contrário. E como a cada passo você muda, evolui, se transforma, o mesmo acontece com as suas metas.” (Larissa Mungai)

Então desejo a vocês um 2016 de metas flexíveis, de paz, de saúde, de inspiração, reflexão, muito mais amor em todos os seus sentidos, de autoconhecimento, e de trocas positivas, seja aqui na blogosfera ou no mundo real!

Feliz 2016!