2018

O ano novo ainda não começou aqui no blog, mas na minha vida sim.

Muita coisa já rolou, apesar de eu estar de férias e não ter executado a primeira meta das metas que é: organizar as metas. Na verdade não tenho uma lista de metas a cumprir, repleta de tudo o que eu PRE-CI-SO fazer nesse ano, mas eu quero começar o ano mais organizada, conseguir visualizar minha rotina, meus horários, pra desfrutar do tempo da melhor maneira possível.

E, como vocês tem visto, o blog já não é uma das minhas prioridades, e tem ficado um tantinho de lado. Ainda não tenho algo estabelecido sobre o que fazer com esse cantinho tão especial, mas sei o que não fazer: acabar com ele. Sim, isso quer dizer que o blog continua. Ainda não sei como, mas está bem aqui.

Não vou fazer promessas de postar mais esse ano, de finalizar projetos ou começar novos por aqui. Eu realmente tenho sentido necessidade de seguir os meus momentos, e às vezes eu só não tô na vibe de criar posts pra cá.

Pra falar a verdade eu até tô escrevendo umas coisas, mas que ainda não tenho a segurança de que preciso pra tornar público (considerando que esse blog é público e acessado por amigos, familiares e qualquer pessoas que queira).

Então é isso: tudo certo e nada resolvido.

Pode dar START em 2018 aí, porque as questões já estão fervilhando e são elas que movem esse querido blog que não recebe esse nome à toa.

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2017 chegando ao fim (isso não é uma retrospectiva)

O fim de 2017 pode ser uma notícia boa ou ruim pra você dependendo de muitos fatores.

Se focarmos nas coisas boas, os últimos dias do ano podem ser ideais para finalizarmos pendências, resolver aquilo que ficou pelo caminho pra começar 2018 com tranquilidade. Pode ser também aquele momento para refletir sobre as coisas que aconteceram ao longo de 2017, lembrar bons momentos e ver que até mesmo os ruins serviram de alguma forma pelo aprendizado que trouxeram.

Pra mim esse ano pode ser resumido como INTENSO. Aconteceu tanta coisa que eu nem me lembro direito. Mas me lembro de que antes dele eu tinha muito mais insegurança e medo por aqui. Em 2017 eu passei a me sentir mais confortável em sala de aula, mais segura comigo mesma, seja com meu corpo ou com quem eu sou num aspecto de personalidade. Em 2017 eu compreendi algumas coisas importantes que fizeram com que meus relacionamentos, em geral, melhorassem. Acho que aprendi mais sobre empatia, e sobre como todos nós temos qualidades e defeitos, podendo ser incríveis em certas coisas e horríveis em outras, e tudo bem.

Em 2017 eu me joguei totalmente na jornada interior, nessa busca por me entender melhor e assim conseguir fazer mudanças (ou pelo menos tentativas) no sentido de me tornar alguém melhor. Li uns bons livros e tem vários já começados pra continuar mantendo esse bom hábito pra 2018. Comecei a fazer acupuntura e essa é mais uma daquelas coisas que vou recomendar pra todo mundo.

Em 2017 eu fiz amigos, me envolvi em projetos, viajei, planejei, dei aulas, fiz mandalas, estive com pessoas que eu amo demais. Eu me aprofundei no sentimento de gratidão e vi a sincronicidade acontecer diante de mim. Me fortaleci como mulher e agradeço às mulheres inspiradoras que encontrei pelo caminho e que me deram tantas lições importantes.

Enfim, tenho tentado cada vez mais praticar o “estar no presente“, deixando o passado lá pra não ficar remoendo coisas e aguardando o futuro com muita ansiedade, já que sobre ele nada se sabe. Mas essa época do ano acaba reunindo algumas lembranças e algumas projeções, por isso quero aproveitar pra encerrar 2017 com bons sentimentos, gratidão principalmente por tudo o que vivi e aprendi. Assim, que 2018 possa chegar com esses mesmos bons sentimentos e com todas as boas novas que um ano novo pode trazer!

Celebração, Festival, Sparkler, Fogos De Artifício

FELIZ 2018 PRA NÓS!

 

Todas em cada uma 

No último post, que foi na categoria Mensagens do Bem, comentei sobre um projeto que venho agora explicar. Idealizado pelo Derick do Andino Brechó  o projeto colaborativoTodas em cada uma teve intenção de abranger a diversidade corporal, baseando-se nos traços femininos e unificando a variedade de texturas que o brechó atende, unindo assim diversidade de forma e diversidade de textura.

Eu, Percilia, Derick, Iara e Suri

 

Quando recebi o convite me senti honrada, de verdade. Ser mulher e poder expressar meu eu nesse projeto foi ótimo. O próprio nome já me chamou atenção e me fez sentir afinidade: sou muitas em uma. Tenho minhas peculiaridades, mas tenho muito em comum com todas as mulheres.

Saber que faria parte disso junto de outras mulheres tão especiais também foi incrível. Ver as nossas diferenças e saber que independente disso somos MULHERES foi incrível. De formas, cores, idades, texturas e histórias diversas, somos uma só quando clamamos por liberdade e igualdade de direitos.

Também vale mencionar a importância do projeto para a nossa autoestima, bem como para a representatividade que sabemos ser tão importante para o empoderamento feminino. Por isso parabenizo o Andino por mostrar que todas as mulheres e todos os corpos devem ser valorizados. Parabenizo minhas companheiras Percilia, Iara e Walleria pela coragem de se mostrarem enquanto mulheres reais. Parabenizo o fotógrafo e namorado Rafa (acompanhem o trabalho dele no Instagram!) por retratar tão lindamente tudo isso. E mesmo que pareça egocêntrico vou me dar os parabéns também por todo o caminho percorrido que me trouxe até esse ponto e me permitiu estar de corpo e alma em mais um projetinho.

Pra encerrar, uma poesia que o Derick usou na legenda de uma das minhas fotos e que achei maravilhosamente adequada:

“Quem você pensa que é?”
perguntou pra mim de queixo em pé…
Sou forte,
fraca,
generosa,
egoísta,
angustiada,
perigosa,
infantil,
astuta,
aflita,
serena,
indecorosa,
inconstante,
persistente,
sensata e corajosa,
como é toda mulher,
poderia ter respondido,
mas não lhe dei essa colher.

(Martha Medeiros)

 

 

Como sensibilizar pelo exemplo, não com cobranças

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Eu tenho visto algumas pessoas reclamando da falta de atuação das outras, seja numa luta específica ou algo mais geral como a “construção de um mundo melhor” ou algo do tipo. Apesar de entender totalmente e também ter esse desejo de que todos sejam atuantes, acho que essa cobrança não muda nada e pode até acabar sendo ruim.

Será que alguém ler uma crítica que pode ser bem cabível a ela mesma vai fazer com que mude de postura? Será que uma indireta de Facebook vai afetar tanto alguém que simplesmente a pessoa vai passar a fazer alguma coisa? Eu acho que não. E acho que isso só cria uma situação desagradável em que parece que quem faz é uma pessoa melhor e quem não faz é uma pessoa horrível.

E se a gente simplesmente fizesse a nossa parte e usasse o nosso exemplo pra sensibilizar as pessoas? Palavras soam e somem. Palavras podem atingir os outros com sentidos diferentes da intenção inicial.

Então sugiro: ao invés de reclamar por quem não faz, faça e valorize quem faz. Não deixe sua boa intenção se transformar em algo ruim, mas sim permita que isso se espalhe da melhor forma. Convide as pessoas a participar, mostre o que você tem feito, estimule a atuação. Precisamos repensar as ferramentas que temos usado, e certamente uma boa estratégia é afastar a raiva e trazer sentimentos de amor, compaixão e compreensão, em busca do bem, sempre.

Esse texto foi produzido originalmente para o PROJETO FAÇA VALER

Trabalho voluntário: o que tenho aprendido

Eu ando meio sumida e nem sei se contei pra vocês sobre um projeto maravilhoso que está enchendo meu coração de alegria e bom ânimo: a Casassa (pronúncia: Cazaça).

A Casassa é um projeto de acolhimento à população LGBT+ em situação de vulnerabilidade – especialmente naqueles casos em que pessoas são expulsas de casa por sua orientação sexual ou identidade de gênero, vista como inadequada pelos familiares – com certeza você já ouviu falar disso, na vida real ou na ficção.

Enfim, o projeto está se desenvolvendo, se estruturando e creio que logo iremos abrir as portas oficialmente para o acolhimento. Por enquanto já temos ações para arrecadar fundos e integrar a comunidade LGBT+ de Presidente Prudente e região.

Mas mais do que apresentar o projeto – e convidar vocês pra acompanharem a gente no Facebook e Instagram – quero falar da minha experiência com o voluntariado.

Sabe, eu sempre achei lindo trabalho voluntário. Sempre foi algo que admirei e ficava pensando: “um dia vou fazer isso!”, mas o dia não chegava. Às vezes eu até me sentia mal por não fazer algo do tipo, sentia que eu estava devendo pra sociedade de alguma forma. Mas eu simplesmente não sentia uma afinidade que me fizesse participar de fato de algum projeto voluntário. Eu sempre acabava fazendo doações, mas nunca indo botar a mão na massa. Isso sempre foi mais fácil, mas não quero de forma alguma dizer que essa parte é menos importante. Na verdade eu acho que todo tipo de ajuda é válido, e não vejo graça em diminuir qualquer tipo. Mas eu ainda sentia necessidade de me envolver mais profundamente com alguma coisa. Talvez eu só não estivesse pronta, ou talvez precisasse de um projeto que me contagiasse como a Casassa me contagiou.

Vou contar a historinha de como tudo começou: de repente fui colocada num grupo de Facebook da tal Casassa, vários amigos faziam parte também e lendo sobre a iniciativa achei bem legal. Só depois entendi que a iniciativa ainda era embrionária, estava sendo construída, e haveria uma reunião para tratar do assunto. A reunião era num dia e horário que eu podia comparecer, então fui. Cheguei sozinha e identifiquei um total de zero pessoas conhecidas. Mas os desconhecidos pareciam ser legais e me senti bem.

No decorrer da reunião já aconteceu algo bem diferente: identifiquei que haviam pessoas trans ali. Dois homens e uma mulher. EU NUNCA HAVIA ESTADO NUM AMBIENTE COM PESSOAS TRANS. Pelo menos não que eu soubesse. E foi muito importante, despertou em mim muitas reflexões sobre como essas pessoas são invisibilizadas e excluídas dos espaços sociais. As histórias contadas por elas contribuíram ainda mais pro meu interesse pelo projeto: as pessoas LGBT+ precisam realmente de ajuda.

E de repente fui num segunda, terceira, quarta reunião. E quando me dei conta estava envolvida de corpo e alma. Em menos de um mês os colegas de projeto se tornaram amigos, pois as afinidades inegáveis nos aproximaram rapidamente. Até modelo fotográfica pra divulgação do bazar eu fui (um belo exercício de autoestima, considerando que a minha beleza está fora dos padrões estabelecidos).

 


Tenho aprendido em cada etapa. Aprendido sobre mim, sobre os outros e sobre o mundo. Gosto de listas, então pra contemplar o título desse post, vou listar algumas coisas que aprendi:

  • Vá atrás do que você quer, do que te interessa, mesmo que sozinho.
  • Não deixe o desânimo dos outros atingir você, você não precisa de apoio em tudo o que for fazer.
  • As pessoas são diferentes, entenda e respeite isso.
  • Respeite o seu limite, seu espaço, tempo e necessidades.
  • Encontre projetos que despertem o que há de bom em você.
  • Lidar com pessoas desperta também coisas ruins. Aproveite para encará-las e descobrir como melhorar.
  • Faça sua parte da melhor forma possível e ficará com a consciência tranquila.
  • Não se compare aos outros ou espere que façam as coisas como você.
  • No trabalho em grupo é importante estar disposto a abrir mão de algumas coisas.
  • No trabalho em grupo é importante se colocar com firmeza quando necessário.
  • No trabalho em grupo é importante ouvir, falar, repensar e refazer.
  • Cresço mais em contato com os outros do que isolada comigo mesma.
  • Quando o objetivo é o bem e o amor, as coisas fluem.
  • Identificar quando fez merda e se perdoar é importante.
  • Identificar quando fez merda e pedir desculpa aos outros é importante.
  • Nada sairá exatamente como o planejado, e está tudo bem.
Equipe da Casassa no BAZARSASSO

Espero que tenham gostado! Alguém aí faz trabalho voluntário? Adoraria saber algumas histórias sobre esse assunto, deixem nos comentários!

Beijos!

5 filmes que assisti nos cinemas em Outubro

Sim, nem é fim do mês e fui aos cinemas ver 5 filmes! Mas vamos contextualizar: viajei pra São Paulo no feriadão e como na minha cidade os filmes são bem restritos, sempre que vou pra capital tento aproveitar ao máximo!

A boa notícia foi que em dois desses filmes paguei apenas R$2,00 no ingresso! Foram eles: Uma mulher fantástica e As duas Irenes. Ambos assistidos no Cine Olido, sala de cinema localizada na Galeria Olido, no centro de SP. Esses filmes faziam parte do Circuito SPcine, um projeto com intuito de democratizar o acesso ao cinema (muito válido inclusive, pois em SP os ingressos são bem caros em salas comuns, como aquelas de shoppings!).

Vamos aos comentários sobre os filmes?! Não vou contar a história e do que tratam, mas deixo o trailer pra contextualizar. A ideia é comentar minhas percepções pessoais sobre as obras, e quem sabe incentivar aqueles que ainda não assistiram!

 

O melhor professor da minha vida

Acho que foi um dos meus preferidos dessa temporada, não só por me identificar diretamente – por ser também professora e enfrentar a necessidade latente de encontrar formas inovadoras de ensino para transpor a forma tradicional que já não funciona bem – mas também pela história, pelos personagens e pela mensagem que considero muito relevante. Pra mim, reforçou a questão da existência das desigualdades sociais e a forma como isso prejudica as novas gerações, mantendo o abismo entre as classes sociais. Por outro lado, também mostrou algum otimismo ao vermos através do exemplo que uma mudança é possível, difícil, mas possível.

Uma mulher fantástica

Importantíssimo para visualizarmos a posição de uma pessoa trans na sociedade atualmente. A invisibilidade, o preconceito, a violência e, o que mais me chamou atenção, a forma como não se consegue ver essas pessoas como iguais. Algumas cenas que acredito terem pretensão de apresentar uma simbologia acabam ficando um pouco confusas ou forçadas, mas no geral achei um filme interessante, não apenas pela questão da transexualidade, mas pela história em si.

As duas Irenes

Um filme Brasileiro com B maiúsculo. Despertou memórias, reconhecimentos, nostalgias. Não só pela idade e fase das meninas, pelas quais todos passamos, mas pela fotografia e cenografia que me levaram a retomar as férias na fazenda com móveis antigos, a sensação de liberdade de morar em cidade pequena. A questão do patriarcado aparece sutilmente, mas de forma notável. Trata de questões familiares complexas com uma delicadeza interessante.

A menina índigo

Confesso que no início tudo indicava que seria um filme “bobinho”, um filme que teria um grande potencial, mas uma abordagem fraca demais. Mas acabou me surpreendendo positivamente, principalmente quando entendi que o tema é muito novo para a maioria das pessoas, e uma abordagem mais complexa iria atrapalhar. Assim, acho que o filme cumpre seu papel ao trazer o assunto à tona, ao nos fazer pensar sobre as mudanças que estamos enfrentando no mundo e sobre como podemos lidar com tudo isso.

Como nossos pais

Um drama reflexivo e super atual. Feminismo, monogamia, relações familiares, educação, liberdade, desejos: tudo isso aparece na história. Acho que no fim, pra mim, ficou uma mensagem de que, apesar do “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, podemos romper o ciclo. Podemos identificar os erros e tentar não repeti-los, assim como aprendemos a copiar os acertos. Na verdade, entendo que importante é saber trilhar nosso próprio caminho, sem se prender aos padrões, sejam familiares ou sociais. Quando o filme desperta essas reflexões dá pra dizer que é bom, certo?

E aí, gostaram? Quem já viu algum desses filmes? Adoraria ver nos comentários as percepções de vocês sobre eles! E pra quem não assistiu, me conta se ficou afim de ver algum!

Beijos!

 

Projetinhos, projetinhos

Esses dias em uma conversa com amigos comentávamos como um deles, geminiano como eu, se envolvia em diversos projetos ao mesmo tempo tornando a vida uma correria só. Fiquei pensando que eu não tinha essa característica geminiana tão aflorada, mas estou vendo que na verdade tenho sim.

Minhas atividades e gostos são bem ecléticos, e atualmente atuo como professora, escrevo neste blog, faço mandalas de lã e participo de um projeto social (que apresentarei no próximo post com todos os detalhes!) dentre outras muitas atividades cotidianas “menos oficiais”.

Olhando assim pode parecer pouco até, mas garanto pra vocês que tudo isso ocupa um belo tempo da vida, ainda mais considerando um cotidiano que envolver também os cuidados com a casa, a atenção necessária à família, o autocuidado com terapia, exercício físico, etc. etc. etc.

Maaaaas, apesar de todas essas atividades e correrias, eu me envolvi em outro projeto – e foi aí que eu percebi que sou dos projetinhos sim, agora assumo! – e vou falar um pouquinho sobre isso.

Estava rolando a timeline do Facebook quando vi a Fernanda fazendo um convite pra pessoas que quisessem contribuir.

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Como tudo começou

Na hora pensei em todas as mil coisas em que eu já estava envolvida, mas não resisti em participar de mais uma, já que condiz totalmente com minha perspectiva sobre o mundo, que é: precisamos espalhar coisas boas por aí.

(Falando um pouquinho sobre isso: tenho pensado em como a grande mídia e nós mesmos em nossas redes sociais temos o costume de reproduzir notícias ruins, gastar nosso tempo com críticas, assuntos pesados. Não que tenhamos que ignorar os problemas que de fato existem e são muitos, mas acho necessário valorizarmos as coisas boas, pra não correr o risco da gente acreditar que tudo é só desgraça e que o mundo não tem mais jeito, ou não vale a pena lutar por algo melhor.)

E o Projeto Faça Valer tem essa luz que precisamos! Fico honrada de apresentar pra vocês minha primeira contribuição com esse projeto: Recarregar as energias pra sentir-se bem. Como o título diz, é sobre recarregar as energias e a importância disso no nosso cotidiano, cliquem no link pra ler o post completo no site do projeto!

Espero que gostem e passem a acompanhar esse projetinho do bem :)

Beijos!

 

Redescobrindo a poesia

Desde que conheci Rupi Kaur algo reacendeu em mim: o interesse por poesia. A construção simples e profunda feita pela escritora me tocou tão intensamente que não deu pra evitar o desejo de escrever também.

Não sei se já comentei por aqui, mas na pré-adolescência (sei lá, com uns 11, 12, 13 anos) eu escrevia poesia. Mas naquela época a coisa da tecnologia era bem diferente e esse material só ficou registrado nos meu caderninhos, e a maioria deles foram perdidos em uma das mudanças de casa feitas pela minha família. Mas a verdade é que depois disso, com outros interesses, outras atividades, outras preocupações, eu simplesmente abandonei a poesia. Se tornou algo ainda mais distante a partir das exigências da faculdade e do mestrado com seus textos teóricos longos e complexos.

Então surge Rupi e Outros Jeitos de Usar a Boca está em minhas mãos. Eu nem terminei de ler e já fez essa reviravolta por aqui. Acabei conhecendo o Medium e descobrindo muita gente boa que escreve. Acabei conhecendo o Marcelo e descobrindo seu trabalho – Poesia de uma Bixa – que também me inspira agora.

E com toda essa inspiração, voltei a escrever! A insegurança ainda me persegue, não só sobre compartilhar a escrita, mas sobre outros aspectos da vida. Mas estando nesse momento de encarar medos, redescobrir vontades e transformar a vida em algo que tenha mais sentido e verdade, eu resolvi compartilhar algumas coisinhas que escrevi, e espero em breve ter mais coisas pra trazer.

Fiquem com meus escritinhos. Beijos de luz!

Poesia - Ser mulher

Poesia - Meu lar sou eu

 

 

 

 

 

 

Encontrando a amiga virtual pessoalmente

Não sei vocês que estão por aí nessa blogosfera, mas eu conheci algumas pessoas super bacanas por aqui, com quem estreitei relações e passei a conversar em redes sociais e tudo mais. Com algumas até troquei cartinhas!

A Ana Carolina (Nika!), foi uma das primeiras pessoas que conheci melhor por aqui, agora ela nem está mais publicando no blog, mas continuamos conversando. Como ela é de Curitiba e eu andava mudando sempre de cidade (mas não fui pras bandas de lá) era bem difícil da gente promover um encontro pessoalmente. Até que esse ano ela avisou que iria pra SP em um evento e eu já estava programando passar uns dias na capital já que estava de férias. E ~tchrãm~ rolou nosso encontro!

Infelizmente foi mega rápido, só deu pra gente jantar juntas e conversar um pouco, mas já valeu super, pois pude confirmar que ela é mesmo o amor de pessoa que parecia nas redes! Foi como reencontrar uma amiga da vida real, sabe? Afinal a gente acaba acompanhando um tanto da vida da pessoa pelas redes e se sente pertinho. Também conheci duas amigas da Ana e foi bem divertido!

Ana, agradeço pela amizade, pelo esforcinho pra podermos estar juntas pelo menos um pouquinho e por ser essa querida! Que possamos ter outros encontros (e com mais tempo!) em breve. Vou achar um lugar bem legal pra deixar seu presente e lembrar sempre de você!

 

 

Histórias de SP e como a representatividade importa

Estava no banheiro do cinema e ouvi uma conversa de mãe e filha mais ou menos assim: “Mãe, mas eu sou bem bonita mesmo, né?”, e a mãe concordava e elas riam, depois a menina diz que teve à quem puxar. Fiquei curiosa pra ver as duas e quando saí confirmei que a beleza era verdade: mãe e filha negras, felizes e empoderadas. Comentei que estava ouvindo a conversa curiosa e mãe disse: “Se tem uma coisa que eu fiz direito foi trabalhar a auto estima da minha filha!”. Dei os parabéns, trocamos umas palavrinhas e ganhei um elogio também. A menina comentou que agora que usa óculos acha lindo quem usa óculos (eu estava usando também). Nos despedimos por ali e meu coração ficou quentinho.

Mais tarde, para minha surpresa, a família se senta ao meu lado no cinema (agora também com um homem que parecia ser o pai da menina, também negro e que foi muito simpático ao ver que nos conhecíamos). O filme era “Uma família de dois”:

Deixo o trailer por enquanto e depois volto pra comentar sobre o filme em outro post!

 

Fiquei pensando que certamente a menina se identificou, se viu ali na telona através de Gloria, uma menina também negra, feliz e empoderada. Isso certamente reforçou os ensinamentos dados pela mãe da menina em casa, e fiquei até pensando que talvez a escolha do filme não tenha sido por acaso.

Tudo isso pra chegar a um ponto muito importante: representatividade importa! Imagina como é positivo para as meninas encontrarem ao seu redor pessoas que se pareçam com elas? Essa questão já foi muito discutida se tratando dos brinquedos: o padrão de beleza representado pelas Barbies loiras, magras, altas e bem vestidas não engloba quase ninguém. Depois da fase das bonecas, na televisão também temos um problema: as protagonistas em geral são brancas, magras, altas, enquanto as mulheres negras aparecem em papéis ligados aos serviços gerais e aos núcleos “pobres” das novelas.

Mas esses exemplos todo mundo conhece e não quero focar no problema, mas na transformação que está acontecendo: surgem cada vez mais exemplos de mulheres negras e empoderadas, pessoas que certamente vão inspirar as novas gerações. Essa mãe mesmo, que reforça a beleza de sua filha pra que ela não aceite que ninguém diga que ela é feia simplesmente por não seguir certos padrões. As artistas que tem conquistado espaço na mídia, as pesquisadoras e professoras que estão à frente de pesquisas importantes, as mulheres que conquistaram seu espaço na política, entre outros.

Infelizmente sei que isso ainda não alcança a todos. Nem todo mundo consegue se aproximar desses exemplos, até porque eles são poucos mesmo. Percebo que São Paulo é um universo especialmente diverso e cheio de possibilidades, e isso me enche de esperança e ânimo. Mas nem todos os lugares nos possibilitam essa liberdade de romper com os padrões (e se sentir segura e confortável com isso). Bom, mudei um pouco de assunto, mas vocês entenderão o porquê.

Também preciso falar de mim quando se trata de representatividade. Percebi que me sinto muito bem em SP e compreendi o porquê: aqui posso ser quem eu quiser, até eu mesma. Aquele ‘eu’ que a gente esconde lá no fundo e às vezes mal reconhece, sabe? Me sinto livre pra usar roupas diferentes do que uso no meu cotidiano no interior, e me dei conta de que isso acontece porque tenho exemplos. Em SP vejo diariamente moças gordas e estilosas pelas ruas e sinto que posso ser como elas. Também sinto que tudo bem se eu sair “desarrumada”, ou com uma roupa que não está dentro do padrão de roupa pra gorda (aquele tipo que tem que disfarçar tudo, aquela história do “não pode listra horizontal”, etc. etc. blá, blá, blá) aqui ninguém liga, ninguém me conhece, não estou ligada às minhas funções ou à imagem que construí para os outros ao longo dos anos. Talvez fosse apenas uma questão de apertar o foda-se e não ligar pro que os outros vão pensar. Mas pra mim não é fácil, o que acontece é que é bem menos difícil quando não me sinto sozinha e diferente de todos ao redor.

Por isso reforço: representatividade é importante, na mídia, no dia-a-dia, na vida. Ver alguém como você alcançando certas conquistas te faz saber que você também pode. Ver alguém que simplesmente existe do jeito que é nos faz pensar que também temos esse poder. Nós mesmos podemos ser esses exemplos pra outras pessoas, muitas vezes sem nem saber disso. Então, pra encerrar, eu diria que precisamos nos comprometer com nós mesmos, sem medo de ser, fazer, vestir o que gosta. O que os outros vão pensar é problema deles.