amor

Em tempos de ódio, seja amor – Estratégias de ajuda mútua em tempos sombrios

O mal-estar é geral. Pelo menos geral no contexto das minorias, dos ativistas, militantes, ou como queira chamar a nós que lutamos por aquilo que acreditamos, pautados pelos preceitos dos direitos humanos. As eleições trouxeram à tona uma série de questões que já estavam debaixo do nosso nariz, mas ignorávamos por não ver tão claramente. Agora que a luz está brilhando forte sobre todo o conservadorismo, nossos olhos doem e nossos corações se enchem de medo.

Mas esse texto não é sobre o perigo que estamos correndo, sobre a violência que já nos atinge diariamente ou sobre a ameaça da legitimação dos ideais fascistas no país. Esse texto é sobre como sobreviver diante de tudo isso.

Acredito que a estratégia de ajuda mútua é essencial: eu te ajudo, você me ajuda, nós nos ajudamos. Tem dias que estamos bem e podemos ajudar os amigos que estão mal, em outros, nós é que seremos ajudados.

Então pontuei alguma atitudes simples que tenho tomado no dia-a-dia e que de repente podem te ajudar a cuidar de si e de quem está do seu lado:

. Estar presente e passar segurança. Mostre que você estará ali ao lado da pessoa independente do que aconteça. Mostre quantas outras pessoas também estão com vocês e vão ajudar a enfrentar qualquer situação que se apresente.

. Ajudar a pessoa a se distrair. Chame pra um café, pra ver um filme, fazer algo menos vinculado ao ambiente eleitoral, sair um pouco das redes sociais que nos bombardeiam com o tema o tempo todo. Mais olho no olho e boas risadas.

. Fazer algo que gosta. A gente perde tanto tempo com bobagens, né? Esse tempo poderia ser transformado em tempo pra nós, pra fazer o que a gente gosta: pode ser cozinhar, ler, assistir uma série, brincar com bichinhos, visitar alguém, conversar com alguém especial, enfim, pense em algo que te faz feliz e se joga nisso sem pensar em mais nada.

. Manter a nossa luta. Siga fazendo aquilo em que você acredita. Siga atuante (na medida do possível, claro) nas pautas que valoriza, siga fazendo o trabalho cotidiano de ajudar pessoas, independente de como isso se realize no seu caso.

. Se apegar ao que faz de melhor. Seja no seu trabalho formal, num trabalho voluntário, ou fazendo coisas boas na sua vida cotidiana, entenda a sua importância e relevância. Tenho certeza que existe algo bom aí que merece ser valorizado!

. Se juntar. Junta aquela turminha que é só amor e acolhimento. Fiquem juntos, conversem, se consolem, façam piadas. Descubra onde seu coração fica tranquilo e você pode se mostrar sem medo. Esse lugar pode ser uma casa, uma pessoa, um abraço: se demore ali.

Além das minhas dicas, vou deixar o texto maravilhoso de Miro Spinelli (disponível em sua página do Facebook):

sair do facebook
sair dos grupos de whatsapp
ou ficar
chorar
suar
meditar
reiki
aromaterapia
caminhar
correr
chá
mantra
oração
ouvir música no escuro
yoga
terapia
terapia em grupo
dançar sozinha
dançar junto
cozinhar uma coisa que você ama
se alimentar
performar
pedalar
tomar banho frio
tomar banho quente
abraço de urso
massagem
defesa pessoal
defesa coletiva
jogar tralha fora
encontrar amigas
ficar sozinha
ler poesia
ler teoria dissidente
ler ficção visionária
magia
alquimia
palo santo
defumação
chocolate
sal grosso
acupuntura
shiatsu
inspirar
expirar
camomila
marcela
alfazema
lavanda
alecrim
coentro
malaleuca
dendê
tarô
astrologia
uma taça de vinho
beijar na boca
pintar
desenhar
escrever
cozinhar feijão
fazer pão
tocar um instrumento
óleos essenciais
fazer campanha
não fazer campanha
masturbação
sexo
twerking
máscara facial
creme hidratante
mergulhar no mar
mergulhar no rio
capoeira
sentar sob queda d’água
artes marciais
gritar
banho de ervas
cantar alto
cantar baixo
escrita automática
registro de sonhos
bater suco de manhã
beber muita água
kundalini
floral
homeopatia
cerveja gelada
sopa
traçar planos de fuga
traçar estratégias de permanência
inventar novas técnicas de cuidado
respirar
respirar
respirar

Pelo amor, venceremos!

 

Texto publicado originalmente no Medium em 17 de outubro – ou seja, antes das eleições de 2018. Mas acho que ainda serve para o contexto que se desenha politicamente.

Anúncios

Comece se amando

comece se amando

Recentemente fiz umas fotos pra um projeto super especial (contarei num próximo post!) e isso me inspirou bastante a pensar sobre amor próprio, autoestima e empoderamento.

Quem me acompanha já sabe que esses são temas muito presentes na minha vida recentemente, portanto acabam aparecendo bastante por aqui. A princípio achei que para as Mensagens do Bem não faria muito sentido, mas depois vi que faz sim, sabe porquê? Porque pra espalhar o bem por aí precisamos começar por nós mesmos.

Se queremos dar amor, precisamos receber amor, e isso começa por nós mesmos: amor próprio, o nome já diz. A capacidade de exercitar o amor por si contribui para exercitar o amor pelo próximo. Muitas vezes estamos em desequilíbrio em algum desses sentidos: ou temos excessivo cuidado com o outro e nos negligenciamos, ou nos preocupamos demais com a gente e colocamos os demais em segundo plano. Acredito que os dois tipos de desequilíbrio são prejudiciais, ao nos doarmos demais sem nos cuidar vamos nos desgastando lentamente, às vezes sem perceber, mas em algum momento isso vai nos consumir de uma forma absurda. Ao nos colocarmos como centro do universo ignorando as outras pessoas e seus sentimentos nos tornamos egocêntricos e esquecemos que como seres humanos dependemos uns dos outros e precisamos das relações para ter uma vida saudável.

Enfim, a mensagem de hoje é comece se amando, pois esse amor vai se expandir e atingir mais e mais pessoas 

Mensagens do Bem – O Retorno

retorno-mdb.png

A categoria Mensagens do Bem aqui do blog é minha queridinha e não escondo isso de ninguém. Mas, infelizmente, nesse ano de 2017 ela ficou abandonada. Sei que desenvolvi muitos outros projetos e ideias que tem seu valor, mas realmente fico chateada de ter deixado essa partezinha de lado.

Por isso, resolvi ao menos tentar retomar esse projetinho nesse fim de ano. O clima natalino sempre contribui para as pessoas abrirem seus corações, e as Mensagens do Bem também tem esse intuito de trazer algo positivo.

Mas antes do retorno oficial, quero pedir uma ajudinha pra vocês:

O que gostariam de ver na categoria Mensagens do Bem?

Me mandem ideias, sugestões ou contem qual foi sua mensagem preferida até agora :)

Beijos!

 

 

Missão de vida (ou Será que precisamos ter sempre certeza?)

Eu sempre me preocupei em encontrar a minha missão de vida. Me sentia mal de não saber exatamente o que eu queria fazer, de não ter uma grande paixão por uma profissão ou atividade, como via que algumas pessoas tinham. Eu não sabia qual faculdade fazer, eu não me via atuando numa área específica. Mas eu sempre ouvi, lá no fundo, uma voz me dizendo que eu deveria fazer algo pra ajudar as pessoas. E pra mim isso era muito subjetivo: “ajudar as pessoas”. Como? Quando? O que eu preciso fazer pra realizar isso?

Até que um dia me foi falado que eu poderia escolher qualquer forma de fazer isso. Livre arbítrio. E nesse momento, minha preocupação que era de conseguir fazer algo grandioso e que fizesse diferença pra muitas pessoas foi por água abaixo, pois compreendi que eu poderia ajudar as pessoas que estão ao meu redor, as pessoas realmente próximas. Entendi que eu não preciso mudar o mundo, fazer uma grande descoberta, ou ser uma pessoa conhecida internacionalmente. Mas eu ainda não tinha encontrado exatamente como ajudar as pessoas, e isso ainda me incomodava. Eu tinha essa liberdade de escolha, mas mal conhecia as possibilidades pra poder escolher. Não me sentia preparada para a responsabilidade que uma “missão” de vida representava pra mim.

Até que, recentemente, como professora, vi que através dessa profissão eu posso ajudar as pessoas. Parece pouco, mas pensei bem e fiz as contas: tenho falado quase semanalmente para cerca de 120 jovens e adultos. Me pareceu um número bem grande até. Pensei no conteúdo das minhas aulas – Sociologia/Antropologia – e em como ter aprendido algumas coisas na faculdade foi tão importante pra minha evolução pessoal. E fiquei feliz por poder ser agora porta-voz, poder passar adiante o estímulo para a reflexão, as ideias como o combate aos preconceitos, o entendimento sobre o que é cultura, enfim, teorias, autores e estudos que no fundo sempre me permitem chegar ao ponto de abordar sobre RESPEITO. Respeito à diversidade cultual, respeito às ideologias diferentes, respeito aos direitos humanos.

Essa minha profissão me permitiu compreender que essa missão de ajudar as pessoas é uma missão de todos que estamos vivendo aqui na Terra. E eu acredito que ela nos foi dada, ou escolhida por nós, porque somos capazes de cumpri-la. Também ficou mais claro pra mim que o ajudar o próximo não é só trabalhar em algo que você acredite ser positivo pra alguém, mas é viver constantemente buscando fazer o bem. É estar ao lado da família nos momentos bons e ruins, é fazer um esforcinho naquela semana corrida pra ver um amigo, é oferecer ajuda a alguém na rua, e, talvez o mais importante, se ajudar, se cuidar, se enxergar. Ouvi recentemente essa teoria de que se estamos bem, se trabalhamos para nosso próprio fortalecimento e evolução, ninguém precisará se desgastar tentando “consertar” os outros. E pra mim faz todo o sentido. Preciso estar bem comigo para que isso transborde e atinja o outro. Preciso equilibrar esse “se doar” com o “me cuidar”. Não vale se acabar pra ser o bonzinho que ajuda todo mundo. Da mesma forma que não é legal pensar só em si mesmo e ignorar todos ao redor. EQUILÍBRIO, outra palavrinha que está sempre nos meus pensamentos.

Todos esses pensamentos que compõem esse texto me surgiram ao ler o seguinte: “Se propor a ajudar o próximo em terreno hostil como a Terra é um ser digno de honra, pois é das tarefas mais fortes e transformadoras para o Espírito que a quer experimentar”. E esse ajudar pode ser algo simples, pode não vir com todo o peso de uma árdua tarefa, mas certamente será transformador.

Eu sempre sofri com as dúvidas, as incertezas. Meu blog chama “Eis a questão…” exatamente por isso: sempre tive muitas perguntas e poucas respostas. E sempre houve angústia de que as respostas não chegassem. Agora entendo que as respostas chegam, mas com elas chegam também novas perguntas, e é isso que confere movimento à vida. Aprendi com Criolo que “não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”. E sabe o que precisa? Ouvir seu coração, ouvir com atenção aquela voz interior que te diz o que é melhor, e ter fé de que cada momento te trará aprendizados, nem sempre aqueles gostosos e agradáveis, mas sempre aqueles de que você mais precisa.

Então esse texto é sobre como encontrei algumas respostas e ainda continuo com muitas dúvidas. É pra me lembrar, daqui algum tempo, que estive em transformação, e que sempre estarei. Pode ser que o que me fez entender coisas agora, não seja aquilo que vou fazer pra sempre. Mas vou me lembrar que cada momento foi de aprendizado e foi válido para que eu pudesse dar o próximo passo, espero que vocês se lembrem também.

Minha estratégia de amor

Me vi desafiada por esse vídeo a falar sobre a minha estratégia de amor. Logo de cara tive a reação de pensar “O que será que esse cara realmente quer dizer com isso?”, mas entendi que o importante é que eu saiba o que eu quero dizer com a minha resposta.

Minha estratégia de amor tem a ver com o bem e a gratidão. Pra mim o amor fica mais palpável na relação com o outro, quando fazemos o bem, quando exercitamos a empatia buscando enxergar pela perspectiva do outro e entender seus caminhos. Mas tenho começado a descobrir também um tal de amor-próprio, ainda não tenho muita intimidade com ele, mas parece que uma capacidade de ter empatia consigo mesmo.

Minha estratégia de amor tem como pilar o “fazer o bem” para mim e para os outros, em tentar oferecer minha contribuição sempre que possível.

O outro pilar que identifico por enquanto na minha estratégia é a gratidão. É esse sentimento que se desenvolve quando recebemos o amor. É como uma retribuição de amor com mais amor. É aceitar o amor e agradecer por ele com bons sentimentos. E creio que isso seja uma estratégia excelente para manter o amor como um ciclo, para manter e renovar a energia do amor em nossas vidas.

Talvez com o tempo eu mude de estratégias, ou crie novos pilares, pois tudo se transforma.

Mas quero saber, qual a sua estratégia de amor hoje?

“[…] o mundo está tão faminto até da versão condensada mais simples de qualquer coisa ligada ao amor, porque o amor não está na TV, o amor não está em lugar nenhum, não é ensinado na escola […]” (Patch Adams)