Histórias de SP e como a representatividade importa

Estava no banheiro do cinema e ouvi uma conversa de mãe e filha mais ou menos assim: “Mãe, mas eu sou bem bonita mesmo, né?”, e a mãe concordava e elas riam, depois a menina diz que teve à quem puxar. Fiquei curiosa pra ver as duas e quando saí confirmei que a beleza era verdade: mãe e filha negras, felizes e empoderadas. Comentei que estava ouvindo a conversa curiosa e mãe disse: “Se tem uma coisa que eu fiz direito foi trabalhar a auto estima da minha filha!”. Dei os parabéns, trocamos umas palavrinhas e ganhei um elogio também. A menina comentou que agora que usa óculos acha lindo quem usa óculos (eu estava usando também). Nos despedimos por ali e meu coração ficou quentinho.

Mais tarde, para minha surpresa, a família se senta ao meu lado no cinema (agora também com um homem que parecia ser o pai da menina, também negro e que foi muito simpático ao ver que nos conhecíamos). O filme era “Uma família de dois”:

Deixo o trailer por enquanto e depois volto pra comentar sobre o filme em outro post!

 

Fiquei pensando que certamente a menina se identificou, se viu ali na telona através de Gloria, uma menina também negra, feliz e empoderada. Isso certamente reforçou os ensinamentos dados pela mãe da menina em casa, e fiquei até pensando que talvez a escolha do filme não tenha sido por acaso.

Tudo isso pra chegar a um ponto muito importante: representatividade importa! Imagina como é positivo para as meninas encontrarem ao seu redor pessoas que se pareçam com elas? Essa questão já foi muito discutida se tratando dos brinquedos: o padrão de beleza representado pelas Barbies loiras, magras, altas e bem vestidas não engloba quase ninguém. Depois da fase das bonecas, na televisão também temos um problema: as protagonistas em geral são brancas, magras, altas, enquanto as mulheres negras aparecem em papéis ligados aos serviços gerais e aos núcleos “pobres” das novelas.

Mas esses exemplos todo mundo conhece e não quero focar no problema, mas na transformação que está acontecendo: surgem cada vez mais exemplos de mulheres negras e empoderadas, pessoas que certamente vão inspirar as novas gerações. Essa mãe mesmo, que reforça a beleza de sua filha pra que ela não aceite que ninguém diga que ela é feia simplesmente por não seguir certos padrões. As artistas que tem conquistado espaço na mídia, as pesquisadoras e professoras que estão à frente de pesquisas importantes, as mulheres que conquistaram seu espaço na política, entre outros.

Infelizmente sei que isso ainda não alcança a todos. Nem todo mundo consegue se aproximar desses exemplos, até porque eles são poucos mesmo. Percebo que São Paulo é um universo especialmente diverso e cheio de possibilidades, e isso me enche de esperança e ânimo. Mas nem todos os lugares nos possibilitam essa liberdade de romper com os padrões (e se sentir segura e confortável com isso). Bom, mudei um pouco de assunto, mas vocês entenderão o porquê.

Também preciso falar de mim quando se trata de representatividade. Percebi que me sinto muito bem em SP e compreendi o porquê: aqui posso ser quem eu quiser, até eu mesma. Aquele ‘eu’ que a gente esconde lá no fundo e às vezes mal reconhece, sabe? Me sinto livre pra usar roupas diferentes do que uso no meu cotidiano no interior, e me dei conta de que isso acontece porque tenho exemplos. Em SP vejo diariamente moças gordas e estilosas pelas ruas e sinto que posso ser como elas. Também sinto que tudo bem se eu sair “desarrumada”, ou com uma roupa que não está dentro do padrão de roupa pra gorda (aquele tipo que tem que disfarçar tudo, aquela história do “não pode listra horizontal”, etc. etc. blá, blá, blá) aqui ninguém liga, ninguém me conhece, não estou ligada às minhas funções ou à imagem que construí para os outros ao longo dos anos. Talvez fosse apenas uma questão de apertar o foda-se e não ligar pro que os outros vão pensar. Mas pra mim não é fácil, o que acontece é que é bem menos difícil quando não me sinto sozinha e diferente de todos ao redor.

Por isso reforço: representatividade é importante, na mídia, no dia-a-dia, na vida. Ver alguém como você alcançando certas conquistas te faz saber que você também pode. Ver alguém que simplesmente existe do jeito que é nos faz pensar que também temos esse poder. Nós mesmos podemos ser esses exemplos pra outras pessoas, muitas vezes sem nem saber disso. Então, pra encerrar, eu diria que precisamos nos comprometer com nós mesmos, sem medo de ser, fazer, vestir o que gosta. O que os outros vão pensar é problema deles.

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Filmes vistos em Janeiro

Nessas férias assisti alguns filmes nos cinemas em São Paulo. Onde moro geralmente não tem muitas opções, então aproveitei a cidade grande pra me jogar nas telonas! Vou comentar um pouquinho sobre eles e deixar na frente de cada título a minha nota em estrelinhas.

Eu, Daniel Blake – ✩ ✩ ✩ ✩ ✩

O primeiro filme que assisti foi logo o mais impactante. A descrição já me chamou atenção e me preparei pra me emocionar, mas esse drama me surpreendeu e me emocionou mais do que o esperado. É humano, é real e nos faz refletir sobre muitas coisas.

La La Land – ✩ ✩ ✩ ✩

Eu sempre falei que não gostava de musical, mas depois desse filme com certeza darei mais chances para esse tipo de filme. Achei a atuação da dupla principal incrível e a abordagem da questão das artes e da vida foi bem interessante.

Passageiros – ✩ ✩ ✩

Confesso que entrei no filme correndo e nem sabia direito do que se tratava. Olhei o cartaz e achei que era mais um romance qualquer. Fiquei bem preocupada quando entendi que envolvia uma viagem interplanetária, achei que realmente não iria gostar, mas me envolvi rapidamente e até que curti.

E aí, vocês já viram algum destes filmes? O que acharam?

Beijos!

Pra assistir: Elysium

(Realizando o item 15- Fazer minha primeira resenha de filme para o blog da lista 101 coisas em 1001 dias! No fim eu lembrei que já havia falado do Somos Tão Jovens aqui, mas agora já foi… rsrs!)

Elysium foi um filme bastante esperado, especialmente pelos brasileiros, pois tem em seu elenco Alice Braga e Wagner Moura! Como Alice já fez filmes internacionais antes, acho que a expectativa maior era em relação ao Wagner.

Posso dar a minha humilde opinião de que as expectativas foram alcançadas! Não só em relação aos brasileiros, mas as atuações de Matt Damon e Jodie Foster também foram excelentes.

Particularmente, não sou das maiores fãs desse tipo de filme, de ficção, com muita ação, tiros, robôs e tudo que tem direito. Mas com Elysium foi diferente, eu realmente gostei, tanto que está aqui!

É um filme que nos faz pensar, não só usar o momento de assistir filme como uma diversão. Pra quem ainda não sabe muito do que se trata, dá uma olhadinha no trailer:

“Os privilegiados vivem em Elysium, sem pobreza, sem guerras, sem doenças. O resto de nós, vive na Terra.”

É um filme sobre desigualdade e injustiça social. Sobre essa extrema diferença entre quem tem o poder e o dinheiro e quem não tem. E chego a pensar se toda esta situação não seria realmente possível no futuro: uma Terra devastada, com pessoas se submetendo a situações absurdas pra tentar uma condição melhor, e com uma elite despreocupada com o todo, mas muito atenciosa aos seus próprios interesses. Opa, peraí, um pouco disso já rola hoje em dia, não?!

Mas vamos voltar ao filme…. rsrs!

Gostei muito dessa entrevista, que reforçou muito o que eu já tinha achado do filme e me ajudou a formar uma opinião mais concreta:

E, por fim, reforçarei a frase final do Wagner, que achei muito bacana:

“É importante que um sucesso de público não seja um filme bobo, seja um filme que tenha uma coisa pra falar.”

Enfim, essas foram minhas percepções sobre o filme, e fica aqui a indicação pra quem ainda não assistiu!

E quem já assistiu, me conta o que achou nos comentários, please *-*

Beijão!