pensamentos

Terra

Quando foi que deixei de ser aquela criança que brincava na terra sem se preocupar?

Quando foi que a terra passou a ser sujeira e não mais espaço onde me sentia inteira?

A terra é mãe de todos, mas para as mulheres é exemplo, lembrança ancestral das raízes.

Quando a naturalidade se perde e a conexão se dissolve ficamos perdidas — desenraizar-se é perder a referência.

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Daily vlogs, Bauman e memória

Esse post provavelmente vai ficar meio sem pé nem cabeça, porque tô começando sem saber realmente o que vai acontecer, mas esperando de coração que no final faça sentido.

A verdade é que eu já tinha começado um post sobre Bauman quando estava trabalhando esse tema em sala de aula, mas ele ficou abandonado. Daí hoje assisti esse vídeo do Fotografando à mesa (se ainda não conhece, recomendo!) e algumas coisas me fizeram lembrar da tal modernidade líquida tão bem abordada pelo autor:

Fiquei pensando aqui se a coisa do daily vlog (pra quem não está habituado ao internetês: quer dizer vlog diário, ou seja, gravar diariamente suas atividades, ou pelo menos parte delas)  vai virar uma tendência geral de registro de momentos. Acho que é bem possível no momento atual, considerando o avanço das tecnologias e a nossa relação tão próxima (pra não dizer relação de dependência) com essas ferramentas.

Pensei em como as minhas fotos antigas – reveladas e coladas nos álbuns – me fazem “lembrar” de momentos que certamente eu não lembraria sem registros. Depois pensei em como aquelas pastinhas do HD externo cheias de fotos da adolescência também são uma fonte importante de memórias. E agora temos essa oportunidade de registrar algo exatamente como aconteceu (acho que vídeo é um registro bem fiel, apesar da possibilidade de edição).

Pra mim parece algo sensacional, porque eu sou a pessoa que nunca lembra das coisas, daquelas que pergunta pros outros: como foi aquele dia mesmo? E aí com todos esses pensamentos, logo lembrei da pós-modernidade, ou modernidade líquida, conceito do sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

Na verdade não pensei tanto nessa coisa do público e privado que é mais abordada no vídeo, mas na mutabilidade das coisas. Será que muito em breve não precisaremos exercitar a nossa memória, pois tudo estará registrado virtualmente? A rapidez com que as mudanças acontecem também são características marcantes dessa modernidade líquida (gente, vou precisar de um outro post num outro momento só pra falar de conceitos… mas espero que todos consigam entender mesmo que não conheçam o autor/teoria).

Enfim, o que daily vlogs, Bauman e memória têm em comum, além de fazerem uma baguncinha nos pensamentos dessa que vos escreve, é que mostram as transformações que estamos vivendo, seja enquanto sociedade ou indivíduos, em maiores ou menores proporções.

Estamos preparados para todas essas mudanças? Se ainda não, acho que é hora de começar.

 

Missão de vida (ou Será que precisamos ter sempre certeza?)

Eu sempre me preocupei em encontrar a minha missão de vida. Me sentia mal de não saber exatamente o que eu queria fazer, de não ter uma grande paixão por uma profissão ou atividade, como via que algumas pessoas tinham. Eu não sabia qual faculdade fazer, eu não me via atuando numa área específica. Mas eu sempre ouvi, lá no fundo, uma voz me dizendo que eu deveria fazer algo pra ajudar as pessoas. E pra mim isso era muito subjetivo: “ajudar as pessoas”. Como? Quando? O que eu preciso fazer pra realizar isso?

Até que um dia me foi falado que eu poderia escolher qualquer forma de fazer isso. Livre arbítrio. E nesse momento, minha preocupação que era de conseguir fazer algo grandioso e que fizesse diferença pra muitas pessoas foi por água abaixo, pois compreendi que eu poderia ajudar as pessoas que estão ao meu redor, as pessoas realmente próximas. Entendi que eu não preciso mudar o mundo, fazer uma grande descoberta, ou ser uma pessoa conhecida internacionalmente. Mas eu ainda não tinha encontrado exatamente como ajudar as pessoas, e isso ainda me incomodava. Eu tinha essa liberdade de escolha, mas mal conhecia as possibilidades pra poder escolher. Não me sentia preparada para a responsabilidade que uma “missão” de vida representava pra mim.

Até que, recentemente, como professora, vi que através dessa profissão eu posso ajudar as pessoas. Parece pouco, mas pensei bem e fiz as contas: tenho falado quase semanalmente para cerca de 120 jovens e adultos. Me pareceu um número bem grande até. Pensei no conteúdo das minhas aulas – Sociologia/Antropologia – e em como ter aprendido algumas coisas na faculdade foi tão importante pra minha evolução pessoal. E fiquei feliz por poder ser agora porta-voz, poder passar adiante o estímulo para a reflexão, as ideias como o combate aos preconceitos, o entendimento sobre o que é cultura, enfim, teorias, autores e estudos que no fundo sempre me permitem chegar ao ponto de abordar sobre RESPEITO. Respeito à diversidade cultual, respeito às ideologias diferentes, respeito aos direitos humanos.

Essa minha profissão me permitiu compreender que essa missão de ajudar as pessoas é uma missão de todos que estamos vivendo aqui na Terra. E eu acredito que ela nos foi dada, ou escolhida por nós, porque somos capazes de cumpri-la. Também ficou mais claro pra mim que o ajudar o próximo não é só trabalhar em algo que você acredite ser positivo pra alguém, mas é viver constantemente buscando fazer o bem. É estar ao lado da família nos momentos bons e ruins, é fazer um esforcinho naquela semana corrida pra ver um amigo, é oferecer ajuda a alguém na rua, e, talvez o mais importante, se ajudar, se cuidar, se enxergar. Ouvi recentemente essa teoria de que se estamos bem, se trabalhamos para nosso próprio fortalecimento e evolução, ninguém precisará se desgastar tentando “consertar” os outros. E pra mim faz todo o sentido. Preciso estar bem comigo para que isso transborde e atinja o outro. Preciso equilibrar esse “se doar” com o “me cuidar”. Não vale se acabar pra ser o bonzinho que ajuda todo mundo. Da mesma forma que não é legal pensar só em si mesmo e ignorar todos ao redor. EQUILÍBRIO, outra palavrinha que está sempre nos meus pensamentos.

Todos esses pensamentos que compõem esse texto me surgiram ao ler o seguinte: “Se propor a ajudar o próximo em terreno hostil como a Terra é um ser digno de honra, pois é das tarefas mais fortes e transformadoras para o Espírito que a quer experimentar”. E esse ajudar pode ser algo simples, pode não vir com todo o peso de uma árdua tarefa, mas certamente será transformador.

Eu sempre sofri com as dúvidas, as incertezas. Meu blog chama “Eis a questão…” exatamente por isso: sempre tive muitas perguntas e poucas respostas. E sempre houve angústia de que as respostas não chegassem. Agora entendo que as respostas chegam, mas com elas chegam também novas perguntas, e é isso que confere movimento à vida. Aprendi com Criolo que “não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”. E sabe o que precisa? Ouvir seu coração, ouvir com atenção aquela voz interior que te diz o que é melhor, e ter fé de que cada momento te trará aprendizados, nem sempre aqueles gostosos e agradáveis, mas sempre aqueles de que você mais precisa.

Então esse texto é sobre como encontrei algumas respostas e ainda continuo com muitas dúvidas. É pra me lembrar, daqui algum tempo, que estive em transformação, e que sempre estarei. Pode ser que o que me fez entender coisas agora, não seja aquilo que vou fazer pra sempre. Mas vou me lembrar que cada momento foi de aprendizado e foi válido para que eu pudesse dar o próximo passo, espero que vocês se lembrem também.

Minha estratégia de amor

Me vi desafiada por esse vídeo a falar sobre a minha estratégia de amor. Logo de cara tive a reação de pensar “O que será que esse cara realmente quer dizer com isso?”, mas entendi que o importante é que eu saiba o que eu quero dizer com a minha resposta.

Minha estratégia de amor tem a ver com o bem e a gratidão. Pra mim o amor fica mais palpável na relação com o outro, quando fazemos o bem, quando exercitamos a empatia buscando enxergar pela perspectiva do outro e entender seus caminhos. Mas tenho começado a descobrir também um tal de amor-próprio, ainda não tenho muita intimidade com ele, mas parece que uma capacidade de ter empatia consigo mesmo.

Minha estratégia de amor tem como pilar o “fazer o bem” para mim e para os outros, em tentar oferecer minha contribuição sempre que possível.

O outro pilar que identifico por enquanto na minha estratégia é a gratidão. É esse sentimento que se desenvolve quando recebemos o amor. É como uma retribuição de amor com mais amor. É aceitar o amor e agradecer por ele com bons sentimentos. E creio que isso seja uma estratégia excelente para manter o amor como um ciclo, para manter e renovar a energia do amor em nossas vidas.

Talvez com o tempo eu mude de estratégias, ou crie novos pilares, pois tudo se transforma.

Mas quero saber, qual a sua estratégia de amor hoje?

“[…] o mundo está tão faminto até da versão condensada mais simples de qualquer coisa ligada ao amor, porque o amor não está na TV, o amor não está em lugar nenhum, não é ensinado na escola […]” (Patch Adams)

Gorda e saudável, é possível?

(Geralmente eu escrevo as coisas mais em “off” aqui no blog, mas dessa vez me desafiei e fui fazer textão no Facebook porque acho que lá tem uma exposição diferenciada. Aqui talvez até alcance mais pessoas, mas eu realmente precisava falar tudo isso para aqueles que convivo diariamente, sabe? Para a família, amigos, colegas, alunos, professores, enfim, pra todo mundo entender um pouco a questão e de repente parar pra pensar sobre). 

Então, deixo aqui o link pro post original do Face e também a cópia pra quem quiser ler por aqui mesmo:

Hoje assisti alguns vídeos do Canal Alexandrismos e a cabecinha começou a funcionar e mil pensamentos emergiram. A partir disso, pensei em como a minha necessidade de aprovação externa (das outras pessoas) era uma das coisas que eu sinto precisar mudar em mim para viver melhor. E daí lembrei de tantas vezes que precisei pedir um ok de alguém sobre a roupa que vesti, sobre coisas que escrevi, ou qualquer outra coisa. E lembrei também que escrevi um texto essa semana e estava super insegura sobre postar ou não, e a primeira coisa que me surgiu foi pedir pra alguém ler e me dizer se estava bom, se fazia sentido ou sei lá. POR QUE? Por que não me sinto bem em simplesmente expor o que eu penso, sinto, quero? Me dei conta de que isso demonstra uma falta de auto confiança da minha parte. E, claro, essa não é uma questão que irá se resolver de uma hora pra outra, mas resolvi fazer um teste, me desafiando a postar sim o texto que escrevi, e ainda escrever isso tudo aqui que você acabou de ler pra contextualizar. Então vamos lá descobrir o que acontece quando agimos diferente do que estamos acostumadas! Ah, também não posso deixar de mencionar a lynda Luiza Junqueira do Canal Tá, Querida que também está me ajudando muito nesse processo de auto aceitação. E tem também a Jessica Tauane do Canal Gorda de Boa que é incrível! Enfim, só pra citar algumas das mulheres gordas maravilhosas da internet que estão fazendo um trabalho incrível ajudando minas a se amarem do jeito que são

Mas vamos ao texto que mencionei acima:

Seria cômico se não fosse trágico: hoje fui até a ginecologista levar os meus resultados de exames de sangue para ela verificar. De antemão – visto que no último ano ganhei 10 quilos e que estes são apenas parte de um ganho de peso que já vem acontecendo há um bom tempo – já me preparei para alguma alteração que provavelmente me forçaria a mudar alguns hábitos. Pensei em como talvez isso seria até bom, aquele empurrãozinho de que eu necessitava pra aderir a uma vida mais saudável, me alimentando “melhor” e fazendo atividade física com mais frequência (a receita mágica para emagrecer que nos vendem em qualquer esquina ou postagem do mundo fitness). Afinal, gorda assim certamente não estou saudável – reproduzi mais uma vez aquele discurso da galera da patrulha da “saúde”. E, PASMEM, a médica olhou meus exames e falou que está TUDO ÓTIMO. Antes que eu pudesse mais uma vez questionar como isso seria possível já que sou gorda, simplesmente sorri, quase que um sorriso de vingança do mundo: POSSO SER GORDA E SAUDÁVEL SIM! Ainda me sinto na obrigação de mudar meus hábitos alimentares e voltar para práticas mais regulares de atividade física, mas agora estou mais consciente de que minha saúde não se resume só ao meu peso. Agora entendo muito mais que a patrulha do peso está sim mais preocupada com a nossa aparência do que com a nossa saúde. Agora entendo muito mais o quanto as pessoas sofrem com gordofobia diariamente sim, e o quanto é ruim esse monte de gente dizendo que é tudo mimimi enquanto pessoas reais estão sofrendo com tudo isso. Agora entendo muito mais as blogueiras/youtubers/pessoas gordas que defendem a necessidade de nos amarmos como somos acima de todas as regras impostas por anos (mas ainda não cheguei nesse nível de me amar incondicionalmente, ainda). Agora entendo que se eu achar necessário mudar meus hábitos vai ter que ser algo que parta de mim mesma e seja por mim mesma, e não pra agradar alguém ou me encaixar no padrão (até porque isso sempre esteve presente e não me fez mudar nadinha). Enfim, esse é um desabafo que eu realmente precisava fazer, por mim mesma e por todas que se identificam com essa questão. Vamos sim nos preocupar com a nossa saúde, mas não vamos esquecer que nosso peso é só um número que significa muito pouco perto de tudo o que realmente somos e podemos ser!

 

Atualização:

Fiquei um tempão na indecisão pra apertar o “Publicar” no Facebook. Fiquei pensando se no fundo não era só uma necessidade de chamar atenção, fiquei pensando em quem ia ler e o que iam pensar (pensei na família, nas amigas magras, nos alunos, nos machos desagradáveis). Apertei e saí correndo. Depois de um tempo começaram a aparecer notificações de comentários e a curiosidade de geminiana me obrigou a abrir. E olha, até agora só comentário maravilhoso