Quantas faces tem o seu preconceito?

Estou lendo um livro chamado “12 faces do preconceito”, que encontrei ao buscar bibliografia para indicar para os alunos da disciplina de Ciências Humanas e Sociais que ministro como base para a elaboração de seminários sobre o tema.

De cara me pareceu um livro bem interessante e a ideia era distribuir cada um dos capítulos para um grupo, sendo os temas: Mulheres, Racial, Homossexuais, Idosos, Jovens, Linguístico, Gordos, Baixinhos, Antissemitismo, Deficientes, Migrantes e Social.

Mas durante a leitura, para minha surpresa, encontrei o seguinte trecho:

“Eu, por exemplo, me oponho totalmente ao pessoal que deixa crescer a unha do mindinho para tirar cera do ouvido ou as mulheres celulitosas que desfilam em biquínis fio-dental, mas isso não dá a mim ou a qualquer outra pessoa o direito de prendê-las”.

Fiquei perplexa. O trecho está presente em um dos capítulos, escrito por um homem e intitulado “Entre a mamadeira e a camisinha” (identificado anteriormente como um capítulo sobre JOVENS).

Me pareceu absurdo alguém querer falar sobre preconceito e utilizar essas palavras que soam, no mínimo, como uma alfinetada. Podem dizer que não tem nada de preconceituoso na fala dele, mas eu como mulher celulitosa (essa palavra existe???) que desfila de biquíni (mesmo que não fio-dental) me senti ofendida. Principalmente porque antes desse trecho ele fala em algo “moralmente incorreto”, como se houvesse um grande problema “moral” em ter um corpo com celulite e desfrutar dele como qualquer outra pessoa. Mas o objetivo desse texto não é criticar o cara (que pesquisando melhor vi que tem posturas conservadoras e absurdas, ao ponto de eu achar que não vale a pena perder tempo).

O objetivo desse texto é propor uma reflexão sobre nossos próprios preconceitos. Me peguei pensando o quanto podemos ser “desconstruídos” em certos aspectos e em outros não. O quanto podemos sentir afinidade com certos assuntos e por isso ter facilidade pra deixar certos preconceitos, mas ter dificuldade pra deixar outros. Por exemplo, podemos ser nada homofóbicos, próximos da comunidade LGBT, super defensores da causa, mas racistas. Podemos ser muito respeitosos com os corpos alheios, evitando a gordofobia ou o bullying contra pessoas deficientes, mas intolerantes com pessoas de religião diferente da nossa.

 

Enfim, as combinações possíveis são infinitas, mas o que quero dizer é que podemos começar a mudança a partir de nós mesmos. E na minha opinião somente assim ela vai se tornar efetiva, pois com nosso exemplo podemos contagiar muito mais do que apenas com críticas aos demais.

Quantas faces tem o seu preconceito? Quantas delas você já conhece, ou já enfrentou?

Que possamos identificar, aceitar e transformar, pois sem consciência da realidade, nada faremos, sem aceitar que temos preconceitos, eles permanecerão intactos. E transformarTRANSFORMAÇÃO vem do Latim TRANSFORMARE, “fazer mudar de forma, de aspecto”, o fazer é ação, e só com ações as mudanças são possíveis.

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Seja você mesmo – É libertador!

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Essa frase é um imenso clichê: “Seja você mesmo”. Já foi vista milhões de vezes por aí, nos mais diversos contextos.

Mas hoje eu quero dar a minha cara pra essa ideia. Quem sabe podemos sair do clichê e adentrar a uma reflexão que julgo ser das mais importantes.

Pra começar vou ter que falar um pouco de mim e de como as coisas estão nesse momento. Sinto que agora realmente a vida adulta chegou. Chegaram as responsabilidades, os momentos de decisão, e junto com isso um desejo de me libertar de algumas amarras sociais.

Ando refletindo mais sobre várias questões, e uma das coisas que surgiu recentemente está relacionada à cobrança por atender às expectativas alheias. Vocês já devem ter reparado que a sociedade (falo sociedade para me referir a um pensamento mais geral, que pode ser encontrado em pessoas próximas – família, amigos – e provavelmente você conhece alguém que pensa assim) coloca uma série de regrinhas sobre as nossas vidas. E tem regrinhas sobre os caminhos que levam ao “sucesso”. E as pessoas assimilam essas regrinhas. E as pessoas acham que só certos caminhos garantem sucesso.

Bem, começo a discordar quando as pessoas tem “sucesso” como objetivo de vida. Prefiro pensar em algo como prosperidade como uma definição melhor do que eu quero pra mim. Sucesso me parece muitas vezes relacionado à posições de status e dinheiro. Prosperidade me parece mais próximo de felicidade. E essa sim representa o meu ideal de vida.

Mas a questão dos termos é a menos importante. Vamos voltar pra parte das expectativas: há uma mentalidade geral de que existem os caminhos de sucesso e existem outros que são “inferiores”. Isso contamina as pessoas. Isso recai sobre a gente quando estamos pensando que rumo iremos tomar em nossas vidas. É quase inevitável, por mais que sejamos capazes de enxergar de outra forma, provavelmente haverá um momento em que vamos esbarrar nessas regrinhas chatas que sei lá quem inventou.

– Tem que fazer faculdade pra ganhar dinheiro

– Tem que chegar à cargos de chefia pra ser bem-sucedido

– Trabalhar com tal coisa é humilhante

(liste aqui outros blablablás que você já ouviu por aí)

Fonte: Página “Anna Bolenna – A perturbada da corte

 

Então chegou uma situação que me fez pensar em duas possibilidades: posso ser eu mesma, ou posso me adequar ao que é tido como certo/melhor (percebam que não há possibilidade de atender às duas coisas).

E aí veio a reflexão: independentemente do que eu decida fazer da minha vida, sou eu mesma que irei lidar com as consequências, boas e ruins. Sendo assim, não é melhor lidar com consequências de decisões que tomei por mim mesma, “seguindo meu coração”, do que com consequências de algo que fiz para me adequar, para agradar, para seguir os padrões?

E minha resposta foi: É MELHOR SIM!!!

Percebi que se eu fizer aquilo que eu realmente creio ser melhor, somente caberá a mim qualquer coisa que vier daquilo e só eu serei “culpada” por isso. Já se eu fizer por pressão dos outros, ou fingir ser algo que não sou, sempre vai haver uma raiva, uma tensão, algo me fazendo culpar tudo e todos.

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Fonte: Página “Caminho do Meio

Que sejamos capazes de seguir o nosso coração, a nossa voz interior, intuição ou seja lá qual o nome que se usa para designar os nossos próprios desejos. Que possamos tentar algo novo, mesmo que isso signifique chocar algumas pessoas pelo caminho. Que possamos saber que só através da experiência, do viver, é que iremos aprender, nos transformar, e poder evoluir cada vez mais!