BULLYING: Precisamos Falar Sobre

“Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.”

A definição foi tirada daqui, e recomendo que leiam o artigo completo que é bem interessante. 

O acontecimento na escola de Goiânia em que um garoto atirou em colegas na sala de aula levantou, dentro outros temas, a questão do bullying. Não quero levar a discussão pra julgamentos sobre a motivação do garoto, sobre procedência da arma ou qualquer outra coisa: quero aproveitar pra falar de bullying e de outras formas de agressão (a definição de bullying fala em agressões repetidas, mas creio, particularmente, que mesmo acontecimentos pontuais possam prejudicar gravemente os que sofrem). Esse tipo de acontecimento funciona como um gatilho pra se falar do assunto, então acredito que o momento precisa ser usado pra isso. Pensar em bullying por conta dessa situação me fez lembrar de alguns momentos ruins passados por mim na época da escola. Infelizmente, parece que tenho mais recordações dos momentos de tristeza que tive por conta dessas “brincadeiras” do que memórias de momentos felizes na escola.

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E sabe, me entristece muito quando vejo esse discurso de “na minha época tinha isso e todo mundo levava numa boa”, ou “era só reagir e zoar o colega também que ficava tudo bem”, ou “que mimimi, agora tem até nome difícil pra falar disso?”, ou “eu zoava meus amigos e eles sabiam que era brincadeira e não se importavam”. SERÁ MESMO? Talvez quem diz essas coisas nunca tenha passado por uma situação constrangedora em que todos riem de você, ou te perseguem e ameaçam. Só podem ser pessoas que nunca foram zoadas por uma característica física, ou, no mínimo, tinham uma auto estima no teto pra não se importar com nada disso.

Deixe-me contar uma história (ou algumas): nem sei bem como, mas lá pela 5ª série um grupo de meninas da minha sala começou a me odiar. Além de me afastarem do grupo, o que me fazia ficar sozinha nos intervalos, rolaram duas situações muito marcantes (tanto que lembro delas até hoje). Fui encurralada por elas no banheiro e ameaçada de apanhar. Também teve uma atividade em sala em que deveríamos criar uma história e uma delas leu em voz alta a história sobre o ventilador de teto cair e matar uma menina (claro, a menina era eu). A professora apenas comentou sobre como a história era “estranha” e ficou por isso mesmo. Mas eu, como já deu pra perceber, gravei esse momento. Não sei se pela constante exclusão ou por algum motivo pontual em algum momento fui chamada junto com uma das meninas pra falar com a diretora da escola. O que aconteceu? Ela nos obrigou a pedir desculpas e nos abraçar. E eu realmente acreditei que ia ficar tudo bem, enquanto a garota só fez um teatrinho que durou até passar pela porta da sala da diretoria. E claro, eu lembro disso até hoje.

Pode parecer besteira pra alguns de vocês que estão lendo isso aqui, mas eu tenho certeza que muitos também vão entender do que eu estou falando. Querem mais histórias? Talvez essas não se encaixem no conceito de bullying porque foram pontuais, mas me marcaram bastante também: acho que foi também na 5ª série, no início das aulas, fui zoada por levar pra escola um fichário do Pikachu.

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Sim, deveríamos todos ter uns 10 anos, mas o fato de assumir gostar de Pokémon era uma vergonha, pois se esperava das meninas dessa idade que levassem fichários cor-de-rosa de algum tema mais “evoluído” e não essa coisa de criancinha que era Pokémon. Um belo dia também veio falar comigo um menino da turma que eu nem conhecia direito e me perguntou se eu tinha sido atropelada por uma Scania. Eu nem entendi porque não sabia o que era uma Scania. Tiveram que me explicar a piada pra eu entender que era uma referência à minha testa grande que parecia ter ficado assim por um atropelamento de caminhão.

Histórias, histórias. Vocês devem conhecer muitas, mas eu quis contar algumas das minhas, as que mais marcaram e estão vivas na minha memória, pra mostrar que essas brincadeiras não são coisas passageiras, bobagens de crianças que “depois passa”. Pode ser que sim, que algumas crianças sejam capazes de superar e esquecer, mas outras não. E realmente vamos negligenciar as que precisam de cuidado pra validar a necessidade das outras de humilhar e ferir? Algo errado não está certo. Ainda não ficou claro que seria melhor uma escola e um mundo onde TODOS são respeitados e convivem em harmonia? Sim, parece utópico e difícil, mas só por isso não vamos nem tentar? Vamos esperar acontecer com alguém muito próximo pra nos sensibilizar? Vamos esperar acontecer uma tragédia com mortes pra pensar melhor sobre o assunto e não sair negligenciando o tema só porque “somos sobreviventes” de um época em que o termo bullying não existia?

Sinceramente, eu fico triste demais de ver a dificuldade que as pessoas tem em desenvolver EMPATIA. Não tô dizendo que é fácil e que a gente nasce com isso, mas poxa, hoje em dia o acesso à informação é tão mais fácil, porque não aproveitamos isso pra nos tornarmos pessoas melhores? Digo isso porque certamente também pequei quando criança. Não me lembro de ter praticado bullying diretamente (até porque geralmente quem pratica não lembra, só quem sofre, não é mesmo?) mas já vi situações de bullying e não fiz nada. Demorou um tempo até eu aprender que omissão também é ruim, e pra eu me fortalecer o suficiente pra enfrentar em situações assim. Mas hoje eu consigo, e acredito que você é capaz de conseguir também.

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Missão de vida (ou Será que precisamos ter sempre certeza?)

Eu sempre me preocupei em encontrar a minha missão de vida. Me sentia mal de não saber exatamente o que eu queria fazer, de não ter uma grande paixão por uma profissão ou atividade, como via que algumas pessoas tinham. Eu não sabia qual faculdade fazer, eu não me via atuando numa área específica. Mas eu sempre ouvi, lá no fundo, uma voz me dizendo que eu deveria fazer algo pra ajudar as pessoas. E pra mim isso era muito subjetivo: “ajudar as pessoas”. Como? Quando? O que eu preciso fazer pra realizar isso?

Até que um dia me foi falado que eu poderia escolher qualquer forma de fazer isso. Livre arbítrio. E nesse momento, minha preocupação que era de conseguir fazer algo grandioso e que fizesse diferença pra muitas pessoas foi por água abaixo, pois compreendi que eu poderia ajudar as pessoas que estão ao meu redor, as pessoas realmente próximas. Entendi que eu não preciso mudar o mundo, fazer uma grande descoberta, ou ser uma pessoa conhecida internacionalmente. Mas eu ainda não tinha encontrado exatamente como ajudar as pessoas, e isso ainda me incomodava. Eu tinha essa liberdade de escolha, mas mal conhecia as possibilidades pra poder escolher. Não me sentia preparada para a responsabilidade que uma “missão” de vida representava pra mim.

Até que, recentemente, como professora, vi que através dessa profissão eu posso ajudar as pessoas. Parece pouco, mas pensei bem e fiz as contas: tenho falado quase semanalmente para cerca de 120 jovens e adultos. Me pareceu um número bem grande até. Pensei no conteúdo das minhas aulas – Sociologia/Antropologia – e em como ter aprendido algumas coisas na faculdade foi tão importante pra minha evolução pessoal. E fiquei feliz por poder ser agora porta-voz, poder passar adiante o estímulo para a reflexão, as ideias como o combate aos preconceitos, o entendimento sobre o que é cultura, enfim, teorias, autores e estudos que no fundo sempre me permitem chegar ao ponto de abordar sobre RESPEITO. Respeito à diversidade cultual, respeito às ideologias diferentes, respeito aos direitos humanos.

Essa minha profissão me permitiu compreender que essa missão de ajudar as pessoas é uma missão de todos que estamos vivendo aqui na Terra. E eu acredito que ela nos foi dada, ou escolhida por nós, porque somos capazes de cumpri-la. Também ficou mais claro pra mim que o ajudar o próximo não é só trabalhar em algo que você acredite ser positivo pra alguém, mas é viver constantemente buscando fazer o bem. É estar ao lado da família nos momentos bons e ruins, é fazer um esforcinho naquela semana corrida pra ver um amigo, é oferecer ajuda a alguém na rua, e, talvez o mais importante, se ajudar, se cuidar, se enxergar. Ouvi recentemente essa teoria de que se estamos bem, se trabalhamos para nosso próprio fortalecimento e evolução, ninguém precisará se desgastar tentando “consertar” os outros. E pra mim faz todo o sentido. Preciso estar bem comigo para que isso transborde e atinja o outro. Preciso equilibrar esse “se doar” com o “me cuidar”. Não vale se acabar pra ser o bonzinho que ajuda todo mundo. Da mesma forma que não é legal pensar só em si mesmo e ignorar todos ao redor. EQUILÍBRIO, outra palavrinha que está sempre nos meus pensamentos.

Todos esses pensamentos que compõem esse texto me surgiram ao ler o seguinte: “Se propor a ajudar o próximo em terreno hostil como a Terra é um ser digno de honra, pois é das tarefas mais fortes e transformadoras para o Espírito que a quer experimentar”. E esse ajudar pode ser algo simples, pode não vir com todo o peso de uma árdua tarefa, mas certamente será transformador.

Eu sempre sofri com as dúvidas, as incertezas. Meu blog chama “Eis a questão…” exatamente por isso: sempre tive muitas perguntas e poucas respostas. E sempre houve angústia de que as respostas não chegassem. Agora entendo que as respostas chegam, mas com elas chegam também novas perguntas, e é isso que confere movimento à vida. Aprendi com Criolo que “não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”. E sabe o que precisa? Ouvir seu coração, ouvir com atenção aquela voz interior que te diz o que é melhor, e ter fé de que cada momento te trará aprendizados, nem sempre aqueles gostosos e agradáveis, mas sempre aqueles de que você mais precisa.

Então esse texto é sobre como encontrei algumas respostas e ainda continuo com muitas dúvidas. É pra me lembrar, daqui algum tempo, que estive em transformação, e que sempre estarei. Pode ser que o que me fez entender coisas agora, não seja aquilo que vou fazer pra sempre. Mas vou me lembrar que cada momento foi de aprendizado e foi válido para que eu pudesse dar o próximo passo, espero que vocês se lembrem também.

2017

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Meu último post nessa categoria tão amada foi há quase um ano atrás. Só agora, com a chegada do ano novo, me dei conta desse abandono, logo desse projeto que sempre foi um dos meus queridinhos aqui no blog. Então, que em 2017 tenhamos mais Mensagens do Bem, e, como sugerido na imagem, que possamos fazer a diferença através do bem e do amor, seja em nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atitudes. Que sejamos a mudança, que possamos iniciar as transformações dentro de nós e assim expandir tudo o que há de bom para os que estão ao nosso redor.

Que seja um ano de paz, amor, respeito, alegria, harmonia e união.

2017 chegou!

Gorda e saudável, é possível?

(Geralmente eu escrevo as coisas mais em “off” aqui no blog, mas dessa vez me desafiei e fui fazer textão no Facebook porque acho que lá tem uma exposição diferenciada. Aqui talvez até alcance mais pessoas, mas eu realmente precisava falar tudo isso para aqueles que convivo diariamente, sabe? Para a família, amigos, colegas, alunos, professores, enfim, pra todo mundo entender um pouco a questão e de repente parar pra pensar sobre). 

Então, deixo aqui o link pro post original do Face e também a cópia pra quem quiser ler por aqui mesmo:

Hoje assisti alguns vídeos do Canal Alexandrismos e a cabecinha começou a funcionar e mil pensamentos emergiram. A partir disso, pensei em como a minha necessidade de aprovação externa (das outras pessoas) era uma das coisas que eu sinto precisar mudar em mim para viver melhor. E daí lembrei de tantas vezes que precisei pedir um ok de alguém sobre a roupa que vesti, sobre coisas que escrevi, ou qualquer outra coisa. E lembrei também que escrevi um texto essa semana e estava super insegura sobre postar ou não, e a primeira coisa que me surgiu foi pedir pra alguém ler e me dizer se estava bom, se fazia sentido ou sei lá. POR QUE? Por que não me sinto bem em simplesmente expor o que eu penso, sinto, quero? Me dei conta de que isso demonstra uma falta de auto confiança da minha parte. E, claro, essa não é uma questão que irá se resolver de uma hora pra outra, mas resolvi fazer um teste, me desafiando a postar sim o texto que escrevi, e ainda escrever isso tudo aqui que você acabou de ler pra contextualizar. Então vamos lá descobrir o que acontece quando agimos diferente do que estamos acostumadas! Ah, também não posso deixar de mencionar a lynda Luiza Junqueira do Canal Tá, Querida que também está me ajudando muito nesse processo de auto aceitação. E tem também a Jessica Tauane do Canal Gorda de Boa que é incrível! Enfim, só pra citar algumas das mulheres gordas maravilhosas da internet que estão fazendo um trabalho incrível ajudando minas a se amarem do jeito que são

Mas vamos ao texto que mencionei acima:

Seria cômico se não fosse trágico: hoje fui até a ginecologista levar os meus resultados de exames de sangue para ela verificar. De antemão – visto que no último ano ganhei 10 quilos e que estes são apenas parte de um ganho de peso que já vem acontecendo há um bom tempo – já me preparei para alguma alteração que provavelmente me forçaria a mudar alguns hábitos. Pensei em como talvez isso seria até bom, aquele empurrãozinho de que eu necessitava pra aderir a uma vida mais saudável, me alimentando “melhor” e fazendo atividade física com mais frequência (a receita mágica para emagrecer que nos vendem em qualquer esquina ou postagem do mundo fitness). Afinal, gorda assim certamente não estou saudável – reproduzi mais uma vez aquele discurso da galera da patrulha da “saúde”. E, PASMEM, a médica olhou meus exames e falou que está TUDO ÓTIMO. Antes que eu pudesse mais uma vez questionar como isso seria possível já que sou gorda, simplesmente sorri, quase que um sorriso de vingança do mundo: POSSO SER GORDA E SAUDÁVEL SIM! Ainda me sinto na obrigação de mudar meus hábitos alimentares e voltar para práticas mais regulares de atividade física, mas agora estou mais consciente de que minha saúde não se resume só ao meu peso. Agora entendo muito mais que a patrulha do peso está sim mais preocupada com a nossa aparência do que com a nossa saúde. Agora entendo muito mais o quanto as pessoas sofrem com gordofobia diariamente sim, e o quanto é ruim esse monte de gente dizendo que é tudo mimimi enquanto pessoas reais estão sofrendo com tudo isso. Agora entendo muito mais as blogueiras/youtubers/pessoas gordas que defendem a necessidade de nos amarmos como somos acima de todas as regras impostas por anos (mas ainda não cheguei nesse nível de me amar incondicionalmente, ainda). Agora entendo que se eu achar necessário mudar meus hábitos vai ter que ser algo que parta de mim mesma e seja por mim mesma, e não pra agradar alguém ou me encaixar no padrão (até porque isso sempre esteve presente e não me fez mudar nadinha). Enfim, esse é um desabafo que eu realmente precisava fazer, por mim mesma e por todas que se identificam com essa questão. Vamos sim nos preocupar com a nossa saúde, mas não vamos esquecer que nosso peso é só um número que significa muito pouco perto de tudo o que realmente somos e podemos ser!

 

Atualização:

Fiquei um tempão na indecisão pra apertar o “Publicar” no Facebook. Fiquei pensando se no fundo não era só uma necessidade de chamar atenção, fiquei pensando em quem ia ler e o que iam pensar (pensei na família, nas amigas magras, nos alunos, nos machos desagradáveis). Apertei e saí correndo. Depois de um tempo começaram a aparecer notificações de comentários e a curiosidade de geminiana me obrigou a abrir. E olha, até agora só comentário maravilhoso 

Uma tentativa de abordagem menos clichê do clássico “faça sua parte”

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Estou cada vez mais aprendendo a importância do “faça sua parte”. Para além da frase clichê, é claro. Essa semana, na disciplina de Sociologia que ministro no curso de Administração, tivemos seminários com temas ligados ao preconceito (homofobia, intolerância religiosa, racismo, preconceitos contra a mulher, idosos e deficientes) e falamos muito sobre o que o governo ou a mídia poderiam fazer para minimizar os problemas provenientes da “simples” falta de respeito ao próximo. Por fim, concluímos também que é importante que cada um de nós faça a sua parte. Muitos se mostraram pessimistas dizendo que tem coisas que não vão mudar, mas lembramos que a educação tem um grande poder transformador, e que podemos ser protagonistas dessas transformações ao nos colocarmos como agentes dela, e não apenas esperarmos que alguém o faça (escola, governo, etc.).

Creio que isso começa pelas mudanças pessoais que desenvolvemos ao notar a maneira como reproduzimos preconceitos e crenças limitantes que nos foram ensinadas. E depois, acredito, podemos passar a exteriorizar isso de forma a mostrar aos demais essas amarras das quais podemos sim nos desprender. E daí vem a nossa responsabilidade com as gerações futuras. Conversando com as amigas esses dias também falamos disso: nós podemos oferecer aos nossos filhos uma educação diferente, nós podemos disseminar novos valores, ligados ao respeito e ao amor acima da competitividade e egoísmo que muitas vezes nos foi ensinado. Sim, é difícil fazer isso sozinho. Sim, é difícil fazer isso num mundo como esse que estamos. Então parece que a solução é mesmo nos unirmos para mudar o mundo. E isso não vai se realizar se continuarmos achando que não somos capazes, se continuarmos acreditando nas mentiras que nos contam, e se continuarmos tão distantes uns dos outros. Só o amor une, só o amor salva. Eu acredito e confio.

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Vamos parar de reproduzir padrões ruins?

Ontem descobri essa página no Facebook:

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Clique para acessar a página

 

A página compartilha relatos chocantes de empregadas domésticas que passam por situações no mínimo desagradáveis em seu cotidiano de trabalho.

Achei muito interessante podermos ler esses relatos e refletir sobre tantas questões que emergem a partir desses relatos: preconceito, segregação, herança escravocrata, entre outros.

Mas como sobre essas questões tem gente com muito mais propriedade pra falar, resolvi usar esse post pra contar algo que aconteceu esses dias aqui em casa: eu estava almoçando com a mulher que chamo às vezes para fazer faxina, e acabamos entrando no assunto de como era diferente antigamente essa relação patroa-empregada.

Lembrei de como eu via, frequentemente, a exclusão da empregada: usava o banheiro externo à casa, comia na cozinha, sozinha e só depois que todos já tivessem comido, entrava pela porta dos fundos.

Agora percebo que usei o “antigamente” porque pra mim isso acabou: na minha casa já não acontece nada disso, a faxineira é como qualquer pessoa que recebo em casa.

Mas a verdade é que isso não é bem coisa de antigamente não. Pelos relatos podemos perceber que muitas dessas coisas continuam acontecendo, a exclusão permanece.

Por isso resolvi escrever esse post pra falar de reprodução. De como muitas vezes reproduzimos atitudes, mantemos padrões, seguimos regras simplesmente porque “sempre foi assim”. Pode parecer difícil romper com certos padrões negativos, mas te garanto que é possível.

O primeiro passo é perceber. E acho que aí está a parte mais complicada: perceber que fazemos algo que não é legal. Pode bater uma culpa, e até vontade de se explicar, tentando amenizar a situação. Tudo bem. Mas não desista. Em algum momento a percepção vai te levar à uma mudança de ação, e quando você conseguir mudar vai ver como é bom e querer continuar!

Na verdade nesse caso do tratamento dado às empregadas domésticas não me lembro de ter sido um processo consciente de mudança. Mas tenho claro pra mim agora que somos todos iguais e que preciso cada vez mais me livrar de pré-conceitos e tentar ter mais empatia.

Em resumo, creio que a principal lição é a de tratar com respeito qualquer pessoa que esteja na sua frente: a empregada, o advogado, o gari, a recepcionista, o pedinte, a professora. E isso também vai além da atividade exercida pela pessoa, respeite a todos independente de sua cor, seu credo, sua sexualidade, sua aparência. Somos todos seres humanos que gostariam de ser bem tratados, então por que não tratar bem também?

 

 

Vamos falar sobre ALTERIDADE

Sim, essa categoria ficou parada por um bom tempo, mas volta com um tema que considero muito interessante e necessário: alteridade.

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Confesso que fui compreender o significado dessa palavra apenas em 2014, quando, no meu primeiro ano de mestrado, fiz uma disciplina chamada “Dialogar con el otro” (o professor era argentino, por isso o título em espanhol!) que abordou o tema. No fundo eu já sabia o que era a coisa, mas não sabia que essa palavra tinha esse significado. E isso foi essencial para mim tanto no sentido acadêmico quanto pessoal.

Com relação ao meu trabalho acadêmico, entender a alteridade foi importante por proporcionar um melhor entendimento sobre a relação entrevistador-entrevistado, esse relação entre o eu e o outro, que no caso da pesquisa científica envolve uma série de especificidades, como a tentativa de uma neutralidade que, na minha opinião, será sempre um tentativa, já que todos nós trazemos nossas características e crenças que dificilmente são neutras. Entendo a possibilidade da neutralidade como a busca por minimizar a influência direta nas respostas de uma entrevista, por exemplo. Nesse caso sim, creio que é possível e necessário para que possamos nos aproximar da realidade que queremos compreender, e não tirar desse contexto apenas aquilo que nós achamos que existe. Mas também acho importante que tenhamos essa percepção da nossa não-neutralidade, para que possamos entender melhor as nossas próprias expectativas, bem como compreender o porquê de certas atitudes, falas e crenças do outro.

Não sei se ficou muito confuso, mas tentando explicar de forma mais simples, a ideia é tentar não influenciar no resultado da pesquisa, não influenciar a pessoa a falar aquilo que queremos escutar, e sim deixar espaço para que ela coloque a perspectiva dela, o seu próprio entendimento das coisas a partir de suas vivências, estando cientes de que essa perspectiva da pessoa está ligada às suas experiências anteriores, ao contexto em que está inserida.

Quanto ao aspecto pessoal, creio que para todos nós seja importante pensar a alteridade em nossas relações. Acho que tem muito a ver com o respeito ao próximo. Ter essa noção de que existe um “eu” e um “outro” nos faz observar que nem tudo é visto somente a partir da nossa própria perspectiva. O outro teve outras experiências, esteve em outros lugares, outras situações, conviveu com outras pessoas. Portanto, provavelmente seremos diferentes em alguns aspectos. Mas a diferença não é necessariamente ruim, e nesses casos precisamos aprender a lidar respeitosamente com isso.

Pra mim, alteridade tem a ver com a compreensão das diferenças, e com a aceitação de que o diferente não é sempre errado, logo, não devemos pensar apenas em nossas crenças, opiniões e posturas como certas, únicas e mais importantes, mas sim como uma das possibilidades em meio a tantas outras que podem fazer muito sentido para outras pessoas. Acredito que com essa percepção podemos ter mais paz em nossas relações cotidianas, ser capazes de atos de compaixão e ter o respeito como guia de nossas ações.

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Leituras recomendadas:

Para quem tem interesse numa abordagem antropológica da ideia de alteridade, recomendo O nativo relativo de Eduardo Viveiros de Castro. É um texto mais acadêmico, que me ajudou muito a pensar na relação pesquisador-pesquisado. Texto disponível aqui.

Para quem quer uma leitura mais filosófica, voltada para a humanidade e o cotidiano, recomendo esse texto de Frei Betto sobre alteridade, texto que descobri quando escrevia esse post e do qual gostaria de destacar uma parte que creio explicar muito bem a alteridade através da generosidade:

Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro e a diferença do outro em relação a mim. Então sou capaz de entrar em relação com ele pela única via possível – porque, se tirar essa via, caio no colonialismo, vou querer ser como ele ou que ele seja como sou – a via do amor, se quisermos usar uma expressão evangélica; a via do respeito, se quisermos usar uma expressão ética; a via do reconhecimento dos seus direitos, se quisermos usar uma expressão jurídica; a via do resgate do realce da sua dignidade como ser humano, se quisermos usar uma expressão moral. Ou seja, isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade.

-Frei Betto

E aí, vocês já conheciam essa palavra?

Como vocês percebem a alteridade no cotidiano?

Beijos!

 

Dia dos Namorados e Amor

Aproveitando a deixa do post anterior, escolhi essa imagem fofíssima para comemorar o Dia dos Namorados aqui no blog:

#todaformadeamor

(Fonte: Página O Que Queremos?)

Porque essa é uma data pra se pensar em AMOR (e pra mim, toda forma de amor é válida).

Se isso não for feito, de verdade, em cada coração, vai ser só mais uma data comercial, pra vender presentes e se fingir que é feliz.

E o mundo já tem consumo e fingimento de sobra, não acham?!

Então vamos aproveitar a data pra espalhar bons sentimentos por aí! (=

 

Muito amor para todos, hoje e sempre!

beijos

Mais uma daquelas sobre preconceito (infelizmente!)

Após uns dias sem internet (o que não foi ruim!) e portanto sem postar aqui, infelizmente não é com alegria que venho até vocês hoje.

Esse não era o post que eu queria fazer nesse retorno. Tenho mil ideias super legais e “pra cima“, mas preciso de certa forma “desabafar” sobre uma coisa que vi hoje e me incomodou muito.

Vi isso publicado num comentário de um video “gospel” de uma música crítica à formação de famílias onde o casal é homossexual, dentre outros assuntos relacionados à questão homossexual:

Mas estas crianças que estão sendo adotadas por “dois homens” estão sendo estrupadas por eles mesmos.
Fiquei um tempo em choque, me perguntando: ” É sério que tem gente que acredita nisso, assim, de verdade?! ” E quando vi que algumas pessoas até curtiram o comentário, fiquei realmente decepcionada de ver a que ponto as pessoas chegam…
Falar em estupro (não, não é estrupo que escreve, tá? #ironia) só porque se trata de um casal gay?
Muita coisa que se diz por aí é até passível de compreensão, com justificativas baseadas na religião, no que está na Bíblia e tudo mais, mas relacionar homossexualidade a estupro, desse jeito?
Pra mim passou dos limites.
Mas aí, se você pensar bem, saberá que pessoas que dizem isso possivelmente não tem acesso à informação, tem uma criação baseada nesse tipo de crença preconceituosa. Portanto isso seria o que chamamos de ignorância, ou seja, quando a pessoa realmente não tem os instrumentos pra entender, e não quer dizer que faz isso por maldade ou real intenção de ofender alguém.
Mas sabe, ainda assim, achei ofensivo, preconceituoso, nojento. E tinha que de alguma forma demonstrar minha revolta, e acho que aqui é um espaço que me sinto mais a vontade pra fazer isso.
Enfim, desabafei e me sinto melhor (:
E fica a dica: NÃO SEJAM ESSE TIPO DE PESSOA!
Ainda que muitas vezes o nosso “instinto” preconceituoso queira nos colocar nessa posição, tentemos prezar pelo respeito, acima de tudo.