Pressão estética, dietas e terrorismo alimentar

Estou num grupo sobre gordofobia e tenho aprendido bastante sobre o tema e entendido algumas coisas que antes eu não tinha ideia. A primeira que eu queria comentar é a diferença entre gordofobia e pressão estética. (Vou comentar sobre isso de acordo com o que tenho visto no grupo, ok? Não tenho conhecimento formal sobre o tema, portanto se estiver equivocada já peço desculpas e peço que contribuam nos comentários).

Pressão estética é algo que qualquer pessoa pode sofrer, seja gorda ou magra. É uma pressão que recebemos da sociedade em geral, família, amigos, para que nos encaixemos em padrões estéticos estabelecidos. Já a gordofobia, pelo que entendi, atinge as pessoas gordas de uma maneira mais objetiva no cotidiano: dificuldade de caber em cadeiras, passar em catracas, encontrar roupas que sirvam, patologização (“gordo = doente”), dificuldade de obter atendimento médico de qualidade (por exemplo: vai ao médico tratar de uma coisa e ele reduz todos os seus problemas de saúde ao fato de estar gordo, mesmo que não haja nenhum tipo de relação). Bom, citei alguns exemplos que vi no grupo mas sei que vai ainda além disso.

Há muitas outras discussões também no que se refere à gordofobia, mas o ponto em que eu quero chegar é o quanto a pressão estética é prejudicial e muitas vezes leva aos outros dois itens que estão no título desse post: dietas e terrorismo alimentar.

Observei uma cena recentemente que me deixou muito assustada: na mesa do jantar a mãe falava para a criança que depois que passassem esses dias de festa elas iriam voltar para a dieta. Uma criança. Dieta. Vamos refletir: O que essas falas ensinam às crianças? Que conceitos e ideias? Que tipo de relação com a comida se estabelece? Eu me arrisco a dizer que esse tipo de situação ensina as crianças desde muito cedo que o normal é fazer dieta. Ainda que seja só um “modo de falar” e a criança não seja submetida de fato à algum tipo de restrição alimentar, a palavra fica gravada, a ideia é de que é preciso tomar cuidado para que a dieta seja seguida e que é um problema sair dela. A impressão que tenho é de que a alimentação não é encarada como algo natural, mas como uma coisa cheia de regras e que precisa ser controlada.

Falando em controle, vou fazer um parênteses aqui no texto pra indicar um texto que li e achei muito interessante: Fugindo do controle.

Outra coisa que me fez pensar no sentido das dietas recentemente foi uma situação em que uma moça me contava sobre como a dieta low carb foi excelente para ela, tendo perdido muitos quilos. Ela comentava que, apesar de não poder comer carboidratos, comia muita coisa gostosa, por exemplo: às vezes de madrugada fritava torresmo e comia sem culpa. Acho ótimo o comer sem culpa, inclusive acredito que isso nem deveria ser uma questão, pois comida e culpa não deveria estar relacionadas, já que se alimentar é uma necessidade básica do ser humano. Mas daí fiquei pensando: Eliminar o carboidrato e basear sua alimentação em gorduras e proteínas é mesmo saudável? Qual nosso conceito de saúde? Saúde é magreza e pronto? Infelizmente parece que sim, veja por esses exemplos que já identifiquei pessoalmente: o objetivo do gordo deve ser a “saúde”, o magro é visto automaticamente como saudável e não é cobrado; a pessoa gorda automaticamente não pode comer certos tipos de alimento (açúcar, gordura, entre outros), já para o magro tudo bem, quase ninguém se incomoda; o gordo é comumente visto como a pessoa que deseja/precisa emagrecer, o magro poucas vezes é entendido como alguém que deseja/precisa engordar.

Tudo isso indica que a “preocupação” não é com a saúde da pessoa gorda, mas com o fato dela ser gorda. E essa suposta preocupação é usada de desculpa pra praticar o terrorismo alimentar. “Gordo não pode comer isso”, “gordo deve comer aquilo”, cagação de regra e blá blá blá. O magro não incomoda. O magro não é considerado doente só pela forma de seu corpo. E entendam que nada disso é apologia à obesidade, não quero dizer de forma alguma que ser gordo é saudável e pronto. A ideia é realmente entender a questão de forma equilibrada: nem todo gordo é doente, nem todo magro é saudável. É só uma questão de parar de generalizar de forma tão superficial e de usar essa generalização pra julgar e destruir a auto estima e a saúde mental das pessoas gordas.

Inclusive, falando por mim, essa “preocupação” dos outros com o que eu como mais atrapalha do que ajuda*. Me coloca num estado de tensão e ansiedade que me fazem querer comer mais do que se eu estivesse bem com relação a tudo isso. Cheguei ao ponto de ter chocolate na bolsa pra comer escondido em caso de necessidade sem correr o risco de ser julgada (e comi escondida, de fato). Já aconteceu de sair de uma situação de vigilância alimentar e ter um episódio de compulsão, na tentativa de compensar aquele período em que eu não me sentia à vontade pra comer normalmente.

A ideia desse post é que, entendendo todas essas questões, possamos evitar essas generalizações, possamos refletir sobre nossos conceitos que afetam nossas falas e ações. Que possamos observar nossa postura com relação a essas questões e evitar práticas que levem a um desequilíbrio da nossa relação com a comida. Que tomemos consciência de como podemos estar influenciando negativamente a relação dos outros com a comida quando utilizamos algumas dessas “ferramentas” citadas ao longo do texto.

Que o terrorismo alimentar se torne liberdade e equilíbrio alimentar.

Que a dieta se torne um comer intuitivo e adequado a cada pessoa.

Que a pressão estética dê lugar à valorização de todos os corpos com suas formas e características únicas.

 

*Sabe o que ajuda? Pessoas compreensivas, que respeitam nosso espaço, nosso corpo, nossos sentimentos. Que se colocam à disposição pra ajudar sem julgar, que tentam entender o que estamos vivendo mesmo que não faça sentido nenhum pra elas – a famosa EMPATIA! -, que saibam que a receita de saúde que funciona pra elas pode não funcionar pra todo mundo, que te ajudam a encontrar o seu próprio caminho sabendo que ele vai ter obstáculos, trajetos e linhas de chegada diferentes.

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Nem gorda, nem magra: qual o meu lugar?

Vi esse vídeo (vejam esse vídeo) e voltei a pensar em algumas coisas.

Acho que sou um exemplo do nem gorda, nem magra. Na verdade eu tenho me entendido enquanto gorda, principalmente após episódios como:

  • Ter meu prato observado e julgado por terceiros;
  • Ser alvo de “””preocupações com a minha saúde””” (que obviamente não eram reais preocupações com a minha saúde, mas com o meu peso);
  • Não caber direito em alguns tipos de cadeiras;
  • Não passar tranquilamente por certos espaços (como corredores de ônibus, roletas);
  • Ter dificuldade pra encontrar roupa em lojas “comuns”;
  • Acharem que eu estava grávida;
  • Acharem que eu quero/devo emagrecer (afinal uma pessoa gorda não pode querer viver assim, não é mesmo?).

Enfim, passei por algumas coisas que me fizeram me entender enquanto uma pessoa gorda, mas tenho noção de que meus problemas são muuuuuito pequenos perto dos problemas que pessoas mais gordas passam. Digo isso porque acompanho um grupo sobre gordofobia e as histórias são realmente terríveis.

Bem, não sei o que vocês ou o que o mundo considera como indicadores para dizer se alguém é gordo ou não (eu tenho 1,58 m, 86 kg e visto calça 48). Mas o ponto é o seguinte: sempre tem alguém que fala “mas amiga, você nem é gorda“. E daí a gente fica com essa sensação que falam no vídeo: não nos encaixamos em lugar nenhum.

A real é que passamos a vida inteira sendo bombardeadas por padrões. Somos ensinadas a admirar e valorizar certas coisas e odiar algumas outras. Fomos ensinadas que gordura corporal é sinônimo de doença. E agora a onda fitness ensina que corpo sarado é saúde (ou seja, nem as magras se encaixam mais no padrão que agora tem gominhos musculosos na barriga como ideal).

É TUDO MENTIRA.

Generalizações são mentirosas.

Cada corpo é um corpo, cada pessoa é uma pessoa, e cada caso é um caso.

Então vamos parar de dar tanta importância para os padrões? Vamos dar importância pra nossa felicidade, pra nossa saúde (que inclui o emocional também, viu?), pro nosso bem-estar? Vamos entender que não há problema nenhum em não se encaixar, e que no fundo tem sim muita gente como a gente?

Confesso que fiquei feliz de ver esse vídeo e saber que tem gente no mesmo barco. Por outro lado, talvez eu preferisse que não tivesse tanta gente cheia de dúvidas e angústias com relação ao próprio corpo. Mas que tudo isso sirva para que a gente possa falar sobre o assunto, para entender cada vez mais, podendo transformar nossas realidades e fazer do amor-próprio um caminho belíssimo e sem volta. Estou trilhando esse caminho e amando tudo o que tenho encontrado. Me amar mais me faz amar mais os outros também, e se todo mundo se amar as coisas vão melhorar, tenho certeza disso.

E sobre a pergunta do título: meu lugar é onde EU quiser!

Beijos!

Gorda e saudável, é possível?

(Geralmente eu escrevo as coisas mais em “off” aqui no blog, mas dessa vez me desafiei e fui fazer textão no Facebook porque acho que lá tem uma exposição diferenciada. Aqui talvez até alcance mais pessoas, mas eu realmente precisava falar tudo isso para aqueles que convivo diariamente, sabe? Para a família, amigos, colegas, alunos, professores, enfim, pra todo mundo entender um pouco a questão e de repente parar pra pensar sobre). 

Então, deixo aqui o link pro post original do Face e também a cópia pra quem quiser ler por aqui mesmo:

Hoje assisti alguns vídeos do Canal Alexandrismos e a cabecinha começou a funcionar e mil pensamentos emergiram. A partir disso, pensei em como a minha necessidade de aprovação externa (das outras pessoas) era uma das coisas que eu sinto precisar mudar em mim para viver melhor. E daí lembrei de tantas vezes que precisei pedir um ok de alguém sobre a roupa que vesti, sobre coisas que escrevi, ou qualquer outra coisa. E lembrei também que escrevi um texto essa semana e estava super insegura sobre postar ou não, e a primeira coisa que me surgiu foi pedir pra alguém ler e me dizer se estava bom, se fazia sentido ou sei lá. POR QUE? Por que não me sinto bem em simplesmente expor o que eu penso, sinto, quero? Me dei conta de que isso demonstra uma falta de auto confiança da minha parte. E, claro, essa não é uma questão que irá se resolver de uma hora pra outra, mas resolvi fazer um teste, me desafiando a postar sim o texto que escrevi, e ainda escrever isso tudo aqui que você acabou de ler pra contextualizar. Então vamos lá descobrir o que acontece quando agimos diferente do que estamos acostumadas! Ah, também não posso deixar de mencionar a lynda Luiza Junqueira do Canal Tá, Querida que também está me ajudando muito nesse processo de auto aceitação. E tem também a Jessica Tauane do Canal Gorda de Boa que é incrível! Enfim, só pra citar algumas das mulheres gordas maravilhosas da internet que estão fazendo um trabalho incrível ajudando minas a se amarem do jeito que são

Mas vamos ao texto que mencionei acima:

Seria cômico se não fosse trágico: hoje fui até a ginecologista levar os meus resultados de exames de sangue para ela verificar. De antemão – visto que no último ano ganhei 10 quilos e que estes são apenas parte de um ganho de peso que já vem acontecendo há um bom tempo – já me preparei para alguma alteração que provavelmente me forçaria a mudar alguns hábitos. Pensei em como talvez isso seria até bom, aquele empurrãozinho de que eu necessitava pra aderir a uma vida mais saudável, me alimentando “melhor” e fazendo atividade física com mais frequência (a receita mágica para emagrecer que nos vendem em qualquer esquina ou postagem do mundo fitness). Afinal, gorda assim certamente não estou saudável – reproduzi mais uma vez aquele discurso da galera da patrulha da “saúde”. E, PASMEM, a médica olhou meus exames e falou que está TUDO ÓTIMO. Antes que eu pudesse mais uma vez questionar como isso seria possível já que sou gorda, simplesmente sorri, quase que um sorriso de vingança do mundo: POSSO SER GORDA E SAUDÁVEL SIM! Ainda me sinto na obrigação de mudar meus hábitos alimentares e voltar para práticas mais regulares de atividade física, mas agora estou mais consciente de que minha saúde não se resume só ao meu peso. Agora entendo muito mais que a patrulha do peso está sim mais preocupada com a nossa aparência do que com a nossa saúde. Agora entendo muito mais o quanto as pessoas sofrem com gordofobia diariamente sim, e o quanto é ruim esse monte de gente dizendo que é tudo mimimi enquanto pessoas reais estão sofrendo com tudo isso. Agora entendo muito mais as blogueiras/youtubers/pessoas gordas que defendem a necessidade de nos amarmos como somos acima de todas as regras impostas por anos (mas ainda não cheguei nesse nível de me amar incondicionalmente, ainda). Agora entendo que se eu achar necessário mudar meus hábitos vai ter que ser algo que parta de mim mesma e seja por mim mesma, e não pra agradar alguém ou me encaixar no padrão (até porque isso sempre esteve presente e não me fez mudar nadinha). Enfim, esse é um desabafo que eu realmente precisava fazer, por mim mesma e por todas que se identificam com essa questão. Vamos sim nos preocupar com a nossa saúde, mas não vamos esquecer que nosso peso é só um número que significa muito pouco perto de tudo o que realmente somos e podemos ser!

 

Atualização:

Fiquei um tempão na indecisão pra apertar o “Publicar” no Facebook. Fiquei pensando se no fundo não era só uma necessidade de chamar atenção, fiquei pensando em quem ia ler e o que iam pensar (pensei na família, nas amigas magras, nos alunos, nos machos desagradáveis). Apertei e saí correndo. Depois de um tempo começaram a aparecer notificações de comentários e a curiosidade de geminiana me obrigou a abrir. E olha, até agora só comentário maravilhoso 

Reiki – O que é?

Comentei no meu último post sobre o reiki e o desejo de compartilhar com vocês um pouco mais sobre a experiência que estou tendo com ele. Mas antes de contar sobre a minha experiência, acho importante explicar o que é o reiki, como ele funciona e quais os benefícios que ele pode trazer.

Comecemos pela formação da palavra: rei + ki, onde rei é a energia universal e ki a energia vital. A soma delas é o reiki, ou seja, reiki é o encontro entre a energia universal e a energia vital, tornando-se energia vital universal.

E como esse encontro acontece?

O reiki é aplicado através das mãos, podendo ou não haver o toque. A energia universal é canalizada através da imposição de mãos sobre a pessoa que receberá a energia curativa.reiki-aplicacao

É importante explicar que o reiki não tem conotação religiosa ou dogmática, ou seja, não está ligado a nenhum tipo de religião, podendo ser utilizado por todos (sempre objetivando o bem e a cura).

O reiki é também uma energia inteligente, capaz de identificar e atuar onde é necessário, ou seja, mesmo que você não consiga identificar suas reais necessidades, a energia vai atuar onde você precisa. A energia cuida do ser integral, e não somente dos sintomas, atuando no equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual.

`É interessante mencionar que através da harmonização energética proporcionada pelo reiki, potencialidades são despertadas (autoconfiança, alegria, paz) e bloqueios energéticos são dissolvidos (tratando a origem das doenças), o que proporciona melhora na qualidade de vida e bem estar em geral.meditation-1384758_1280

Excelente, não é mesmo?!

Sim, o reiki é maravilhoso! Mas não podemos esquecer que todo esse processo vai funcionar realmente se nos permitirmos. Precisamos acreditar, confiar e trabalhar para que a energia atue sobre nós da melhor forma, pois, caso contrário, podemos criar resistências que impedirão que esse auxílio nos atinja em sua forma mais completa.

Deixo aqui também uma listinha (porque vocês sabem que adoro listas!) dos benefícios do reiki:

  • É uma técnica simples e prática, complementar a todo e qualquer tratamento.
  • É uma energia inteligente, atuando sobre as necessidades ainda que ocultas.
  • Não tem conotação religiosa ou dogmática.
  • Rompe tempo e espaço.
  • Pode ser usado em benefício de multidões e do Planeta.
  • É um método seguro, uma energia inteligente que atua a seu favor.
  • Alivia sintomas de tensão e estresse.
  • Acalma a mente, clareia os pensamentos e as emoções.
  • Fortalece o sistema imunológico.
  • Aumenta seu reservatório energético e sua força vibratória.
  • Alivia a dor.
  • Desintoxica.
  • Promove harmonização energética, regenerando células e proporcionando saúde.

Bom, espero que tenham gostado! Com certeza falarei mais sobre o reiki por aqui.

O que vocês gostariam de saber sobre o reiki para que eu traga num próximo post?

Me contem nos comentários!

Beijos!

Ano novo, metas novas {último post de 2015}

metas não prisão

2016 chegando aí. Ano novo sempre proporciona momentos de reflexão, e muitas vezes aproveitamos a oportunidade para definir metas pro ano seguinte. Metas relacionadas ao relacionamento, à vida financeira, à saúde, entre tantas outras.

Eu quis ir um pouco no sentido contrário do momento. Muito se vê por aí sobre foco, força e fé, manter o foco, atingir a meta. Mas pouco se fala de como as coisas não são estáticas e podem mudar a qualquer momento. Se sua vida muda, porque suas metas deveriam continuar as mesmas?

O que quero dizer não é que não devemos criar metas, pelo contrário, acho elas realmente importantes para que possamos visualizar nossos objetivos e buscá-los com mais afinco. Mas é importante não fazer das metas uma prisão, não transformá-las em correntes que nos amarram e nos impedem de voar.

Além do meu momento de vida, eu recebi um e-mail que me inspirou a escrever esse post (porque nada é por acaso e as coisas acontecem com total sincronicidade). Um e-mail do projeto Moporã, do qual selecionei a seguinte frase:

Precisamos estar prontos para desistir dos nossos planejamentos quando uma boa oportunidade surge à nossa frente. A meta deve servir ao seu propósito. A meta deve te servir e não o contrário. E como a cada passo você muda, evolui, se transforma, o mesmo acontece com as suas metas.” (Larissa Mungai)

Então desejo a vocês um 2016 de metas flexíveis, de paz, de saúde, de inspiração, reflexão, muito mais amor em todos os seus sentidos, de autoconhecimento, e de trocas positivas, seja aqui na blogosfera ou no mundo real!

Feliz 2016!